Storytelling — Toy Story — Pixar

Storytelling — a arte de contar histórias

Em artigos anteriores (“3 Razões para você começar a produzir conteúdo” e “O que aprendi com Guy Kawasaki”) cito a dificuldade e a importância de sintetizar, ou seja, expor uma grande idéia, um projeto, um pitch em poucas palavras e principalmente em pouco tempo.

Porém a outra arte, de enorme importância, é o de criar e contar histórias.

Quando não haviam empresas, marcas, psicólogos e só haviam pessoas contando histórias ao redor de suas fogueiras.

Hoje essa técnica ou ferramenta se denomina Storytelling e é aplicada aos mais variados contextos: aulas, apresentações, reuniões de negócios, relacionamentos familiares, etc.

De fato, existe uma disparidade gigantesca quando nos deparamos com pessoas que nos apresentem dados quaisquer e pessoas que nos contam uma história que nos levem a entender esses mesmos dados — geralmente chamamos esse contador de história de um bom professor, um bom palestrante, um bom vendedor, um bom marketeiro. O que não percebemos é que tudo o que ele/ela fez foi interpretar a mesma mensagem ou informação e associá-los à nossa realidade, ou em outras palavras, utilizou um conhecimento comum entre o seu público para explicar a mensagem que precisava passar.

Essa técnica ficou bastante evidente quando Andrew Stanton, criador de Toy Story e Wall-E, revelou o segredo da Pixar (empresa renomada de animação) sobre como contar histórias infantis de modo a levar adultos a se conectarem com suas infâncias e não conseguirem tirar os olhos das telas, em uma apresentação em um TED em 2012. Nessa apresentação, Stanton enumerou os principais princípios para se criar e contar uma boa história. Então aqui vamos nós:

1) Um início e um final:

Narrar é como contar uma piada. Para ter graça tem que ter claro o começo e o final. É possível deixar-se levar no meio, porém o começo e o fim não se improvisam.

2) Começe com uma promessa:

Todo relato é uma esperança. Não se trata de mentir ou enganar, mas de extrair o excepcional de qualquer acontecimento para que o interlocutor doe algo que nunca dá: sua atenção.

3) Faça com que se interessem:

Essa é uma regra de ouro da Pixar. Segundo Andrew Stanton, esse pode ser o maior mandamento da narrativa. Faça com que seja importante para quem ouve! No sentido emocional, intelectual, estético, faça valer a pena!

4) 2+2 é muito diferente de 4:

Envolva a outra pessoa, dê espaço para sua imaginação fluir. Não resolva todo o mistério de uma só vez.

5) Use o que sabe:

Use o que sabe, o que se vive. Atente-se ao seu redor e se apodere dele. Essa é uma técnica muito usada por comediantes de Stand Up — perspicácia e apoderamento do ambiente ao seu redor. Algo inútil para a maioria é a ferramenta chave para um humorista de Stand Up e para um bom contador de histórias.

6) Linguagem corporal:

Se entregue a sua narração e deixe seu corpo falar naturalmente. A linguagem corporal é uma ferramenta poderosíssima de comunicação.

7) Os olhos:

Tem que olhar no olho das pessoas — falar diretamente com cada um por mais que sua audiência seja enorme. Quando uma pessoa percebe que você está olhando nos olhos dela ela automaticamente se sente atraída e envolvida pelo assunto, pela história.

8) O tom de voz:

Use entonação vocal para enfatizar, chamar atenção, falar devagar de modo a criar um suspense. Altere o tom, crie emoções com a voz.

Esse texto tem como base minhas experiências pessoais, auto estudo, prática e apoio de um artigo espanhol publicado por Gabriel García de Oro em uma coluna de Psicologia Espanhola.

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