Assassinatos em massa não são sobre bullying. São sobre Masculinidade.

reflexão lésbica
Mar 14 · 3 min read

Assassinato em massa não é somente uma questão de saúde mental.

É uma questão de masculinidade.

Esses eventos não são isolados e tampouco produtos de mentes psicopatas apenas culpadas pela sua biologia. São parte do backlash contra o feminismo e parte da guerra contra mulheres.

INCEL, 4chan, dark web. O fortalecimento que as redes sociais deram à direita e fundamentalistas masculinistas.

Eles alvejam feministas e mulheres.

Mais de 60% das vítimas de matanças deste tipo são mulheres e meninas. [1]

Todo esse fenômeno é sobre masculinidade e sobre crise da masculinidade, crise do poder masculino.

Eles não matam por sofrer de masculinidade tóxica. Eles matam para proteger ela.

Para retomar a primazia masculina e fálica.

É o KuKluxKlan do gênero.

O culto a arma é peça fundamental e imprescindível. Quem mata tantos com uma faca? (citando Emma González, ativista pelo fim do porte de armas nos EUA, em foto acima).

A arma é personificação do falo violador, que força sua vontade sobre a outra, que extermina existências incômodas. A arma é implacável, mortífera. Ela apenas serve para matar. Para submeter o outro de forma sofisticada. Para dar poder de morte absoluto.

Tudo isso é tentativa de recuperar o poder masculino via terror.

Eles planejaram. Eles discutiram. Eles se juntaram em torno disso. Eles decidiram a estética do momento. Eles festejaram. Eles inspiraram. Eles se consideram heróis. Eles fazem propaganda para outros. Essa era sua intenção.

(acima, print da comemoração do massacre em fóruns da deep web)

O suicídio do machista que se mata depois de matar namorada, do pai de família que mata a esposa e depois a família toda, do líder de seita que manda todos seguidores se matarem (e a seus filhos) e depois se mata... Se trata de que a identidade masculina é assentada sobre o poder sobre outras pessoas. Quando isso acaba, ele acabou também como existência, o homem. É sobre honra masculina, o suicídio masculino. É um ato fundamentalista da religião masculinidade. A isso servem. Esse o seu martírio. Daí se consideram “Sanctos” (como estava em fóruns que participavam na deep web, Dogola Chan), em uma cruzada para limpar o mundo das diferenças sexuais e étnicas.

Então ele mata a si e leva outros, como o suicida do ISIS, da Al Qaeda.

“Eu não tenho mais valor” porque sou um "macho beta" (celibato involuntário, Incel, cunham este termo), sou um perdedor, vou acabar com minha existência por fracassar ante prerrogativas patriarcais de ser o que fode, porque as feministas acabaram com a impossibilidade de dizer não, acabaram com o estupro regulado como acesso masculino às mulheres. Mas levo outras existências junto. As femininas. E então matam os homens que interferem, no momento do massacre.

A maioria dos assassinos em massa alvejam principalmente mulheres e meninas.

Nos EUA no ano de 2015 ocorreram 45 assassinatos em massa. [1]

Homens, a masculinidade e suas invenções necrofílicas (como as armas) são perigosos para a vida na Terra.


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    Uma lésbica pensante compartilhando umas reflexões. Jan, psicóloga lésbica feminista.