1. a teoria do caos

e as sementes de esperança que foram semeadas ao longo dos anos, tiveram de ser arrancadas antes mesmo que pudéssemos vê-las crescer para dar lugar ao concreto de realidade que do chão até o alto cobriu nosso céu de liberdade, preenchendo nossos dias com o fruto do que era artificial e vazio. nossas aspirações se tornaram nada além de um engodo fabricado por aqueles que não tinham rosto, mas possuíam todo o resto e a estrutura de seus braços rompia com fúria, impetuosamente, tudo que havia sobrado de nossas arrancadas bruscas em busca de fuga.
acabamos como os antigos, como os animais equinos de olhos tapados que apenas serviam para trabalhar. nossas pernas, antes tão fortes, já não tinham mais forças para correr livres. em nossas cabeças uma combustão ideologicamente alimentada por ambos os lados. acabamos nos tornando opcionalmente um pouco além do que chamariam de alienados, para que a vida doesse menos a cada hora do dia que não passava, para que o nosso cansaço fosse quase que completamente ignorado pela necessidade de sobrevivência e, por fim, poderíamos continuar repetidamente, pelo resto de nossos dias, ecoando nosso novo mantra:
produzir, produzir, produzir.
