Além de “Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rollings Stones”

Capa do DVD, de 2004, no Espaço Locall (São Paulo).

O primeiro contato que lembro de ter com Engenheiros do Hawaii foi ao ouvir a canção mais famosa (mas regravada) da banda no karaokê que fazíamos em casa. Amava cantar, totalmente desafinada — especialmente a mesma nota ra-tá-tá-tá.

Neste mês, usando o aplicativo de música streaming Deezer, procurei pelo grupo e achei o Acústico MTV, CD e DVD gravado em 2004, reunindo os melhores sucessos. Para alguém que só tinha ouvido uma única música deles, até o momento, foi uma surpresa agradável. A partir da descoberta, passei a olhar diferente para o rock brasileiro. Como sei tão pouco!

Ao observar as músicas atentamente, há quase um denominador comum: o tema da liberdade. “Infinita Highway” ou “O Preço” talvez sejam as mais representativas, mas deixarei ao leitor o julgamento.

O que me cativou foram justamente as letras críticas, algo de que sinto falta na música contemporânea brasileira. Atacam a lógica capitalista, como no trecho “Corrida pra vender os carros/Pneu, cerveja e gasolina/Cabeça pra usar boné/E professar a fé de quem patrocina”, em “3ª do Plural”; questionam o conformismo, em “Seria mais fácil fazer como todo mundo faz/Sem sair do sofá, deixar a Ferrari pra trás”, nas “Outras Frequências”; e problematizam a existência, inspirados pela Geração Beat.

A conclusão é: foi transformador ter saído da caverna do desconhecimento de só conhecer uma música da banda. Há tanto para desvendar! Por esse motivo indico que ouçam Engenheiros do Hawaii — uma das bandas mais icônicas do rock brasileiro.

A quem quiser conferir: