Letícia Souza
Aug 22, 2017 · 3 min read
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e o pior me acontece. mais uma vez. toda noite o pior muda a feição, mas não deixa de ser O Pior. então não faço nada diferente. continuar um costume que a gente sabe que não funciona é apego, né? (sim, eu sei que é. não, eu não quero mudar isso agora. eu sei que meu princípio é a constante evolução do ser, mas ás vezes a dor é tão grande que tenho a necessidade de me agarrar em qualquer coisa, mesmo sabendo que já deixou de ser eficaz há aproximadamente 8 crises atrás. você me permite correr pra debaixo dessa asa da ilusão de que tudo vai ficar bem e que não preciso me preucupar? só dessa vez, juro. por favor.)

vaificartudobemvaificartudobemvaificartudobemvaificartudobemvaificartudobemvaificartudobemvaificartudobemvaificartudobemvaificartudobemvaificartudserá?

repito tantas vezes para mim mesma que a frase fica estranha. as palavras se dissipam no vento e o que me sobra é o sentimento de que algo está errado. (será que é essa palavra mesmo? é desse jeito que escreve isso?) minha mente transforma tudo em um grande borrão cinza escuro e pesado (será que essa cor é realmente essa cor ou meus olhos não tem os filtros necessários para ver outras cores que podem existir, porém os humanos não tem a capacidade de enxergar? – mais uma vez desviando do assunto. ao mesmo tempo que preciso colocar tudo pra fora, os sentimentos se engolem e voltam para onde saíram. eles não querem saber que eu talvez possa os decifrar.)

eu me sinto assim desde quando você me deixou.

sua partida tirou todos os fotorreceptores do meu globo ocular. só enxergo em preto e branco. não enxergo nada.

frases que nasceram para me deixar bem – e somente – se tornam estranhas e irreconhecíveis. distantes. não sei mais o que é estar bem.

sinto as pessoas como fantasmas ao meu redor. humanos vazios. só porque não são você. esbarro em todos pelo meu caminho porém já não peço desculpas. não sinto mais. não são você. não sinto você.

eu não deveria me deixado ser moldada pelo apego. na verdade, hora nenhuma permiti isso. você chegou até mim com seu livro sobre como a vida ao seu lado seria perfeita e eu o li. pior que isso. eu o vivi. você me mostrou tudo que eu queria enxergar e quando finalmente me convenceu a continuar a história, você queimou o livro.

(junto com meus sentimentos e esperanças e a beleza que eu enxergava a vida. o que me sobrou foram as cinzas da insegurança.)

um dia eu vou ser grata por tudo que vivemos juntos, por mais rápido que tenha sido. espero pelo momento em que o conjunto de códigos cinza-grafite “vai ficar tudo bem” volte a fazer sentido pra mim. espero que um dia eles tenham as cores do arco-íris. até lá, tentarei evitar O Pior.

não por ti. nem por mim.

pela simples casualidade de ser e progredir.

e pelo meu gato. (sei que ele percebe quando estou triste e sabe que não pode fazer nada. não quero que se sinta culpado por isso)

)
Letícia Souza

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a única coisa permanente é a mudança

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