Eu ainda tenho pesadelos insanos, nos quais você vai embora e volta, só para ir de novo. E eu sempre acordo com os olhos encharcados e com a mesma dor que senti ao te ver parada, imóvel. Você se foi de mim e não havia relógio que pudesse mudar os fatos, não tinha como voltar no tempo, todo o ar se foi, a vida se esvaiu. Quando você se foi, eu me fui também. Quando você se foi eu me descobri pela metade. E ainda não me encontrei.

Eu ainda tenho crises de choro terríveis e minhas crises de ansiedade quase me fazem desmaiar, não tenho mais colo e nem ombro pra me apoiar. A vida tá mais cinza que São Paulo, você era toda a luz e agora nada me guia. Tenho medo da noite, do vazio, da solidão. Tenho dúvidas que ninguém sana e verdades que ninguém ouve. Você se foi e aqui só faz frio, é inverno para sempre, mesmo que esse tempo doido só vá dos 32 aos 40º, tá tudo frio aqui dentro, é tudo neve, tudo gelo.

Por meses, transitei num agridoce de sentimentos, por vezes não conseguia me expressar e depois, como uma mudança de tempo, como uma chuva no verão, eu começava a chorar, ninguém segurava a represa que se abria em mim, não havia rio que aguentasse tanta água.

Tantas vezes me senti abandonada, traída, jogada. Não por você, mas pelo destino que nos separou. Eu não sabia o que tinha feito e eu não sabia o que fazer. Tantas vezes ainda não sei. As pessoas andam mais frias, mais más, vazias, você levou a bondade contigo, tudo o que restou foi vendaval. Aquele vendaval que vem e leva as esperanças e deixa só o desalento. O mundo não é mais o mesmo e as pessoas sabem disso. Elas também mudaram. Tudo mudou e você não está aqui. Não tem ninguém aqui por mim, não tem ninguém que vai me ouvir.

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