Deitada em uma rede, olho pro mar como se ali só existisse ele. Deixo a brisa me invadir. Balanço a cabeça quando penso em todas as idealizações não realizadas. Os sonhos ficaram tão distantes quanto aquela linha no horizonte.

Bebo mais um gole de cerveja. Começo a sentir que estou me afogando. Bebo mais uma vez.

Nado em superfícies profundas, mas preferi me afogar na profundidade rasa de um copo. A lentidão do inconsciente, a respiração mais pesada e, de repente, uma alegria extrema. Eu já não penso mais em nada.

Com os olhos fixos naquele azul, vejo a água dançar sob os corais. A maré está tão seca quanto eu. O movimento é lindo, mas destrói. Aprendemos a romantizar o sofrimento e esquecemos que nenhum inferno é bonito. Água mole, pedra dura, tanto bate até que fura. Devasta.

Abri outra cerveja.

A cena se repete todos os dias. De gole em gole eu esqueço o que parece estar mais vivo todos os dias. Amor.

Maresia: (a)Mar que virou poesia.

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