Quando o único pensamento é sumir pra se encontrar, mas você espera se encontrar em outro plano. Vinte e quatro horas por dia, sete vezes por semana, um pensamento, várias formas de realizar. Não sei explicar o que é sumir pra quem já está perdido. Girando em círculos, orbitando em outro planeta. É preciso ter coragem. E quantas doses são necessárias pra isso? Coragem de dentro pra fora ou de fora pra dentro, não importa, o que vale é ter.

Eu não quero contar quantas gargalhadas são suficientes e quantos bons pensamentos eu vou precisar pra não desejar. Não passa. Eu calculo hora e dia. Eu penso em tudo. Eu imagino quanto será necessário. Eu penso em cada palavra. Eu relembro.

Porque aqui estou sem nada realizado e sem planos concretos. Porque aqui estou eu apenas existindo e ocupando lugar no espaço. E eu que achava que o amor era capaz de tudo, inclusive de curar, me deparei com ele me matando aos poucos, sem ter no que acreditar.

Não há mais vontade de estar aqui. Não há mais vontade de nada. Não há esforço. A sensação de que não verá nada pronto, de que em breve tudo irá acabar (assim espero). E não importa se isso soa egoísta ou como falta de amor (próprio). Não importa. Não é falta, é excesso. É desespero. É saber que tudo ficará melhor quando eu sumir.

Quando eu sumir pra me encontrar.

Letícia Figuerêdo

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"Não existe amor sem medo" Caos instalado e palavras soltas. 23 Natal-RN/BRASIL - 09/01/96