Seu relógio parou e sempre são 3 horas da manhã.

Você parou no tempo. Agora você é só espectadora. Todo mundo é plateia e o mundo é um cenário muito grande. Você não consegue acompanhar ninguém. As coisas que costumavam ter sentido agora são tão banais… Nada mais emociona, nada mais te acelera, te conquista, te atrai. Nada é interessante o bastante. Tudo perdeu a graça, perdeu o brilho, o encanto. Você está tão perdida dentro dos seus planos frustrados que agora nada tem graça. O sentimento de que, se fizer, ta tudo bem, e se não fizer, ta tudo bem também.

Agora você é um parasita pra você mesma. Você é o próprio diabinho no seu ombro. Você aprendeu a engolir as palavras e guardá-las pra si. Por fora anda séria e distraída. Por dentro corre um rio e está tudo um pouco destruído. Destruição poderia ser seu sobrenome. Catastrófica. Falar sobre você não é tão difícil assim… Se eu te olhar por 5 minutos no espelho do banheiro saberei: não está feliz. Mas também não está tão triste assim. Você está tão indiferente, tão mais forte, mas também são tantos pedaços jogados e perdidos. Você anda vagando por aí, sem sentimentos expressos, um sorriso pouco sincero e uma armadura que só cresce. Sua mãe quis te proteger do mundo e esqueceu de te proteger de você. Foi tentando desesperadamente se achar que você se perdeu. Agora é difícil te reconhecer. Agora você é uma pessoa bem pior. Não há nada a acrescentar, ensinar ou discutir. Você era tão crítica, tão viva, tão…radiante? Isso soa tão distante e passado. Talvez você nem saiba como era de verdade, você não a sente mais. Tornou-se insensível, invisível, insegura, irrelevante.

Se você partisse hoje, qual pedaço restaria de lembrança?

Nem mesmo você quer seus restos.

Há tempos não existo. Queimem até não restar verdadeiramente nada.

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