Meus dias amargos

Fotografia de Edward Honaker: http://www.edwardhonaker.com/

Acordei em um daqueles dias em que tudo parece errado e fora de lugar, inclusive — e talvez principalmente — eu. Meu coração se aperta com uma incerteza do que me rodeia, perco a noção das coisas que acontecem e não consigo acompanhar a vida que corre.

Me sinto só;
Me sinto deslocada;
Sinto que fiz as escolhas erradas
e que por elas serei para sempre assombrada.

Em dias como este ando sozinha pelo campus, vou de aula em aula sem realmente ver, sem ouvir, tropeçando em meus próprios pés que parecem grandes demais para mim e ao mesmo tempo pequenos demais para o peso esmagador de mim mesma.

Sorrir dói,
Pensar dói,
fingir que me importo dói
e a dor de tudo me corrói.

Evito falar porque em minha garganta um nó está formado com a força das lágrimas que teimam em querer sair. Eu teimo em mantê-las presas, tentando afogá-las em sua própria liquidez, torcendo para que eu mesma derreta e evapore no calor que me sufoca. Só respiro e espero.

É complicada a concentração em qualquer coisa externa a mim, tudo é um borrão e se eu tento olhar com mais atenção tudo me machuca: as cores são muito fortes, as pessoas me parecem más, as paredes se fecham, o chão se move… Me encolho quieta, respiro e espero.

Espero estar segura e assisto o passar do tempo, tentando me manter seca enquanto a tempestade bate. Tento controlar o pedaço auto-destrutivo em mim que me mostra o que não quero ver, puxa pensamentos ruins e faz de tudo para me manter no chão.

Respiro e espero.

Vai passar.

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