O jeito Louis Armstrong de cantar sorrindo

2016 tá aí.

O sorriso do Louis cantando um sonho aqui:

2016 tá aí.

Eu poderia desejar um amor. Eu poderia desejar alguém que dançasse estranhamente, risse do quanto eu fico sem jeito quando tentam me beijar pela primeira vez ou das minhas canções meio bossa nova sem tirar elas do rádio. Eu poderia desejar alguém me enviando flores do nada, que escutasse as minhas histórias, um destinatário para as minhas cartas, uma pessoa que guardasse os meus textos na primeira gaveta ao invés de em uma caixa de sapato no fundo do armário. Mas talvez eu não caracterize nada e apenas deseje conhecer alguém que sonhe um pequeno sonho de mim.

Eu poderia fechar os olhos no comecinho do ano e imaginar a minha carreira profissional dando um salto enorme nos próximos 365 dias. Em 2016 eu finalizaria um livro sobre pessoas e sentimentos, faria todas as matérias jornalísticas que me esperam, conseguiria uma bolsa de estudos no curso que eu tanto quero, realizaria a inscrição do meu projeto de filme e tocaria algumas pessoas com os meus textos. Mas talvez eu não planeje nada e só peça para perder a insegurança com as coisas que escrevo.

Sim, um pequeno sonho de mim

Segundos antes de virar o ano, eu vou relembrar todas as coisas que vivi com os meus amigos e o quanto estamos crescendo e passando por todas as coisas juntos. Eu com certeza poderia desejar que 2016 nos desse a oportunidade de sermos felizes na mesma intensidade que somos quando nos reunimos. Mas, talvez eu peça apenas por bons momentos juntos e mais brindes de cerveja em comemoração aos nossos sonhos realizados.

Eu poderia respirar fundo e desejar saúde para toda a minha família. Eu pediria a Deus — e ao Buda, o destino e toda força enorme que nos rege — mais tempos bons com a minha mãe, mais risos com o meu irmão, mais histórias engraçadas e antigas com os meus padrinhos, conversa com os tios e almoços com os meus avós. Seria o respiro mais demorado de tanto amor profundo que eu sinto por esse desejo. Talvez eu peça isso, mas talvez eu peça mais.

Um minuto e vinte segundos para a sua vida ficar cor de rosa.

Eu poderia desejar um mundo menos maluco. Sem corrupção, sem desigualdade social, sem militarização ou violência gratuita. Eu poderia fechar os olhos e pedir para que os nossos direitos realmente existam sem qualquer impedimento, preconceito ou marginalização. Mas talvez eu só descubra mais jeitos de lutar por um mundo melhor e peça mais bondade no coração das pessoas e amor ao próximo.

Eu poderia não desejar nada. Eu poderia lembrar dos planos que não deram certo, da impossibilidade de voltar atrás, e ficar meio assustada com o meu novo olhar realista e cético diante dos desejos, planos e sonhos. Eu poderia aceitar que fico com medo e paralisada diante da imprevisibilidade da vida, que não é nada cor de rosa. Mas, talvez eu apenas agradeça por estar viva. Talvez eu agradeça por muito mais.

Eu poderia desejar muitas coisas, mas por hora, eu quero apenas o jeito Louis Armstrong de cantar sorrindo por todas as coisas simples que às vezes eu esqueço de ver.

2016 tá aí, e eu te convido a sorrir com as árvores verdes e rosas vermelhas, abrir os olhos e ver tudo que floresce pra mim e pra você. Vamos acreditar de novo e nos esforçar para ter ainda mais fé na vida. Vamos escutar as pessoas realmente dizerem eu te amo e pensar com a gente mesmo o quanto o mundo é maravilhoso.

Leia o discurso do Louis abaixo, dê um play no vídeo acima e feliz ano novo!
“Alguns de vocês jovens tem me dito ‘Hey senhor, o que você quer dizer com What a Wonderful World?’ E as guerras em todos os lugares? Você chama isso de maravilhoso? E quanto a fome e a poluição? Isso não é tão maravilhoso também.”
Bem, que tal ouvir um velho senhor por um minuto.
Me parece que não é o mundo que é tão ruim, mas o que estamos fazendo para ele. E tudo o que eu estou dizendo é para vermos o quanto o mundo é maravilhoso se apenas lhe dessemos uma chance. Ame, querida. Ame. Esse é o segredo. Se muito mais de nós amássemos uns aos outros, nós resolveríamos muitos problemas, e então esse mundo seria ótimo. Por isso é que o velho senhor aqui continua dizendo… I see trees of green, red roses too…

Letícia Cardoso

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