Coleção Leve um Livro

Em 2016 tive a alegria de ser convidada para participar de um projeto lindo, idealizado — e realizado — por Ana Elisa Ribeiro e Bruno Brum: a Coleção Leve um Livro.

Acho que desde 1999 eu ouço falar da Ana Elisa. Primeiro como poeta, com o Poesinha, que saiu na coleção Poesia Orbital, uma proposta que surgiu em BH no centenário da cidade — ano em que cheguei na capital. Depois lembro que ela organizou a Logo Lógos, uma publicação de poesia, se não me engano, gratuita. E anos depois Ana Elisa foi minha professora na Faculdade de Letras, em uma disciplina sobre revisão e preparação de texto. E ela, que já era referência de “jovem autora”, passou a ser referência de “pessoa de Letras que trabalha em editora”. Ela tinha conseguido duas coisas bem difíceis naquela época — e possivelmente ainda hoje — , na capital de Minas Gerais.

O Bruno conheci na Faculdade de Letras, acho que em 2002. Ele também integrava um grupo que foi essencial na minha formação, o grupoPOESIAhoje, do qual eu e outros amigos participávamos. Na nossa apresentação mais pomposa, no II Salão do Livro de Minas Gerais — que hoje é a Bienal de Minas — , abrimos a apresentação com “Eu sou rebelde”, de Lilian. Eu cantava, Bruno acompanhava no violão. Acho que depois disso o Bruno saiu do grupo. Um tempo depois fez uma publicação de poesia excelente, a Revista de Autofagia. Lançou uns livros muito bons. Ganhou o Prêmio Minas Gerais de Poesia no mesmo ano em que Silviano Santiago recebeu o prêmio pelo conjunto da obra.

Isso tudo para dizer: a Leve um Livro é uma coleção de poesia pensada e realizada por poetas-editores que admiro.

E você imagina o que é isso? Desde 2014, esses dois fazem a curadoria — a aquisição — , produção (editorial e gráfica), distribuição e divulgação de 24 livretos por ano. E ainda cuidam da comunicação com os autores.

São livros em formato de bolso (11 cm x 17,8 cm), 12 pp., papel couchê brilho (no chute, digo que é 115g), cor 1/1. A capa é também em couchê brilho, na mesma gramatura que o miolo, 4/4. Nesse supostamente exíguo espaço, há lugar para entrar os paratextos importantes para o leitor e para a divulgação do livro: foto do autor, minibiografia, página de créditos, pontos de distribuição e informação sobre a coleção.

A tiragem de cada título é de 2.500 exemplares. Para você ter uma ideia, em produção comercial, a tiragem inicial de livros de poesia é, em média, de 1.000 exemplares. Com 2.500 exemplares o editor sente-se nadando na caixa-forte do Tio Patinhas. É livro à beça, mas não tem encalhe: as tiragens esgotam, a despeito da informação de que leitores de poesia estão em falta.

A distribuição dos impressos é feita gratuitamente em 20 pontos de Belo Horizonte — o projeto é financiado pela Prefeitura de BH. Cada um deles tem um display bem bonitinho. Aliás, além do projeto editorial, o projeto gráfico é todo bem pensado. Definitivamente conteúdo gratuito não precisa ter baixa qualidade.

Biblioteca Infantil e Juvenil de Belo Horizonte [foto do Instagram da coleção]

Ana Elisa e Bruno cuidam também do conteúdo digital: site, SoundCloud, Facebook e Instagram. No site há as informações sobre a coleção, livros e autores — e é ali a mina do outro, um território livre de pirataria, uma vez que os livros podem ser baixados gratuitamente em .pdf. No SoundCloud é possível ouvir os poemas.

E, por último, mas não menos importante: os autores recebem um valor pelos direitos autorais de cada livro. É um respeito raro.