Prefácio a “Uma mulher”, de Flávia Péret

Uma mulher é um documentário. Um cine-panfleto. Um livro de colagens. É um experimento com O Livro de Mallarmé. É um registro de identidade. É um álbum de fotos. Um inventário.

É um livro de poemas, você diria.

É uma câmara de ecos.

Não se apresse.

É uma afirmação.

Uma mulher parece uma fala do documentário de Agnès Varda Réponse de femmes. É uma conversa com as mulheres francesas de 1975 que nos dizem pela câmera: “Nós mulheres não somos todas a mesma.” “Eu sou única, mas represento todas as mulheres.” “Eu sou uma mulher. E mulheres têm que ser reinventadas.”

É um livro de poemas sem rima, com 129 frases gramaticalmente simples, organizados em tercetos sem métrica constante. Que afirmam.

No site umamulher.org, Uma mulher se torna um livro infinito, com versos combinados e recombinados, tal como “Cent mille millards de poèmes”, de Raymond Queneau, ou o I Ching.

Porque não é possível haver uma mulher no singular. Uma mulher é a analogia de uma analogia.

Ou uma antologia de uma antologia.

Mas prefiro que você me diga.

Leticia Feres

Rio, fevereiro de 2017.

Para ver mais fotos e saber mais sobre esse livro lindo, acesse https://www.behance.net/gallery/53307939/Uma-mulher

Uma mulher está à venda na página do Estúdio Guayabo no Facebook: fb.com/estudioguayabo/shop

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