Déjà vu

O tempo é nem mais nem menos que nossa percepção sensitiva entre duas existências. Me sinto vivendo um eterno déjà vu e por mais que o tempo passe – dias, horas, meses, natais, aniversários, bom dia, boa tarde, te amo, até mais – ele não tem passado pra mim. Assim, como um paciente enfermo na sala de espera, humilhado pela desinformação, espero a minha cura. Espero pela minha onda de percepção sensitiva, à arte, à vida. Vivo à espera. Do tempo real passar, da hora chegar, das coisas acontecerem, do real manifestar. A pior espera da vida é essa de todo dia; esse eterno déjà vu. Talvez seja a causa do meu relógio não andar. São teorias repetitivas demais, num mundo de nada de novo.

Mas veja, tenho pra mim que quando duas coisas se tocam, cria-se dimensão. Se a poesia me tocar, aí o tempo passa

um minuto – sou leve tristeza

dois minutos – bonita só nos versos

três minutos – fora deles quase não existo

quatro minutos – e assim preferia não existir além do ponto final

cinco minutos – pois só depois deles eu realmente choro.

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