O confortável silêncio da intimidade

Muitas coisas dizem sobre a intimidade entre as pessoas. As conversas inacabáveis, os risos fáceis, a confiança, a presença leve. A intimidade vai se revelando numa imensidão de pequenos detalhes e, naturalmente, nos damos conta de que o outro já faz parte de nós.

Mas, dentro dessa imensidão, nada é tão revelador quanto o aconchego do silêncio. Pra mim, entusiasta da quietude, ficar confortavelmente calado é, sem dúvida, o gesto mais simbólico da gostosa intimidade com o outro.

O calor que fez ontem, o preço do chuchu no sacolão da esquina, a greve dos bancos que não acaba nunca. Nada disso entra em pauta. Vocês não têm que caçar assunto porque, simplesmente, não precisam mais deles.

Sentar ao lado do outro, mergulhar na serenidade da presença, sentir – ou não – o tempo passando rápido, apreciando a cena muda e tendo a certeza de que aquele alto som do silêncio revela que vocês estão prontos pra dividir, sem medo, a vida.

Ficamos boa parte do tempo, dentro das relações, buscando pelos grandes sinais que denunciem que ali há amor, cumplicidade ou qualquer outro sentimento que conecte. Passamos, porém, tantas vezes desapercebidos pelo sinal mais significativo – e talvez o mais minúsculo detalhe. A conexão com o outro e a certeza de laços fortemente atados encontram-se no barulho silencioso das presenças caladas. Intimidade boa é quando silêncio não mais incomoda.

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