Pessoas boas (Ou pessoas que tentam tanto ser boas e se tornam abusivas)

Letícia Lucena
Jul 25, 2017 · 4 min read

Senta aqui
Fala comigo
Não vou te julgar
Quero te ajudar
Se abre pra mim
Confia
em
mim.

Tudo parece ser tão querido. Acaba sendo difícil encontrar pessoas que querem nos ouvir e que demonstram real interesse no que falamos. Então quando você está no meio de um furacão ou no fundo do poço, alguém que lhe estenda a mão e ofereça um aconchego parece ser aquela luz do fim do túnel. Mas as vezes você tá tão no escuro que até um pisca-pisca da 25 de Março parece ser a luz do fim do túnel.

E eu encontrei esse pisca-pisca. Mas não apenas encontrei e confiei, eu me envolvi.

Alguém toda regrada, metódica e cheia de convicções. E o que eu não tinha na minha vida naquele momento era convicção, então foi o estalo: essa é a minha saída. E durante um tempo foi.

Mas quando alguém que está sem base alguma e perdida enquanto a outra pessoa está cheia de si, é um passo para um relacionamento abusivo.

Ela conseguiu me colocar como a insegura, irresponsável, imatura, infantil. Na verdade, não nego que possa ser tudo isso. Mas cara, eu tinha 21 anos, consegui me mudar e manter uma casa. Mas pra ela tudo era mérito dela. Fiquei sabendo que até eu ter trocado de emprego foi graças a ela. Ainda não consegui lembrar quando ela foi na faculdade pra mim ou quando abriu o photoshop e fez meu portfólio.

Fiquei me sentindo sozinha mesmo namorando com ela. Eu não queria tocar nela, não queria ficar perto mas ao mesmo tempo eu não conseguia terminar. É uma coisa bizarra, eu pensava todos os dias em terminar mas não conseguia falar porque tinha medo da reação dela. Teve uma vez que lá no começo eu terminara com ela. Ela me tratou muito mal, me esculachando e como eu não conseguiria uma pessoa melhor que ela. Resolvi voltar. Então tinha medo disso acontecer novamente.

Eu deixava ela irritada. Tudo que eu fazia ou que não fazia a irritava demais, todo dia briga, brigas que aconteciam antes das 9 horas da manhã. Gente, essa hora eu ainda nem escovei os dentes.

Um dia ela passou todo o caminho do trabalho brigando comigo, tipo mãe que briga com filho no shopping. Fiquei mal, pedi desculpas, não lembro o motivo, acho que porque atrasei ou porque deixei as roupas num canto da casa dela que não era pra estar. Quando voltei pra casa dela, ela quis conversar e disse que não estava dando certo. Por dentro eu estava pensando: finalmente! Chorei por medo do que aconteceria, nem tentei mostrar que queria, mas disse que pra mim estava tudo bem e chocada com tudo. Quando fui pra casa, deitei na cama e chorei sorrindo. Tipo a Gretchen quando saiu da Fazenda.

Depois daquilo, tudo pareceu mais leve. A gente até tentou ser amigas. Eu estava ótima e ela tentava muito mostrar que também estava.

Dai as brigas voltaram.

Esqueci de avisar a ela que pegaria o cachorro dela mais tarde. Minha culpa, confesso! Mas dessa vez eu não ia baixar a cabeça e pedir desculpas pelas ofensas que ela jogava em mim. Ela não gostou nada da minha atitude agora mais empoderada. Brigamos e não fiquei com o cachorro.

Parecia uma briga idiota mas que culminou em outras coisas.

Invasão de privacidade.

Ela logou meu Google Fotos e sabe-se lá mais o que. Pegou prints e usou pra manipular amigos em comum. Tentou também me manipular e eu acreditei em tudo. Alegou que ouvirá através da religião algumas informações, obviamente eu acreditei, quem sou eu pra ir contra religião. Mas ela foi dando brechas e vi que haviam acessos de outro computador na minha conta. Bati todas as histórias e datas: resolvido.

Tenho certeza que ninguém sabe o que ela fez, que pra todos ela é a Madre Teresa de Calcutá. E por muito tempo me preocupei em ir falar com ela, vomitar tudo que tava aqui. Mas ela sabe o que fez e vai viver com isso.

De todo esse drama eu quero distância, porque minha vida tá tão leve e gostosa. Gente abusiva? Tô fora, pego minha bike e vou embora.

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