aperreio conciso

dentre tantas horas mal contadas e meios dias de novembro, o que me resta é a nostalgia desconhecida pela minha inquietude.

o sopro no coração taquicardio e o afago no peito dissertam coesos;

como em um atropelo, os últimos dois anos (e o agora e o antes) de dias traídos fincam nas 4 estreitas paredes da cabeça, e latejam gritando socorro, buscando agarrar-se no fio restante de sei-lá-o-que; eu já nao ouso chamar de amor, de complacência.

e a unha rasga e as costas suam e o olhar atravessa perdido por todo o teu passado, e a individualidade finda por já não ter tanta certeza de si.

divagações que não cabem, a via falida do meu corpo, que eu lavo e esfrego e guardo a 7 eus de mim, a 1 de você.

corpo e mente são um só, desvairada exatidão, confusão que dói na ansiedade e cala a leveza que pairava minutos antes – é que pra existir serenidade, a gente precisa conhecer o mais amargo que habita no âmago de ser todos os pecados já vividos.

você já me parece uma lembrança distorcida, um livro que eu li pela metade, a imensidão da qual agora eu só conheço as dimensões físicas.

meu quarto abriga: sou eu de novo, vagando no espaço do sentir, e nessa cena ininterrupta, o tempo passa e eu só troco de roupa e de cara e de gente, que não vai sentar pra tomar um café porque já ta de saída.

e não que ser só por si só seja ruim, mas as vezes a saudade rasga e a solidão instiga… e quando eu já não vejo a linha contínua do que há porvir; quando do meio pro fim, a estrada é atordoada pelo sol do meio dia e a aspereza da vida nao ousa me deixar enxergar, eu me perco em devaneios tortos e olhares mal recordados.

eu duvido do teu amor e questiono aos 7 mares toda a admiração que sentistes por mim, quando uma discussão idiota ou um comentário de tom acirrado ao longo de um dia rotineiro perduram mais do que deveriam.


nessa altura do escrito, a vista retoma a nitidez, as pernas se recuperam devagar do cambalear e a cabeça, antes desnorteada, se equilibra; intrigada, eu me indago quieta a validez dos pensamentos nesse aflorar de pele, mas deixa pra lá

porque o chegar do dia cobra certas regras de convivência e a mente corta a angústia, aperta o vestido, dá dois tapinhas na cara e guarda, pra futuros reencontros, o maremoto que o meu corpo acolhe como velho conhecido de indagações mal engolidas e noites não descansadas.

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