Porque o Snapchat pode ganhar a disputa pela curadoria — em quais fontes você confia?
Ken Romano para o Medium — publicado em 04/12/2015
Tradução minha
De acordo com o Instituto de Política da Universidade de Harvard, 88% da geração Y, também conhecida como Millennials (entre 18 e 29 anos) dizem que só “às vezes” ou “nunca” confiam no que a mídia diz.
Considerando que todas as principais plataformas já entraram de alguma forma no segmento de últimas notícias, meu voto é que o Snapchat ganhe essa corrida como melhor ferramenta de curadoria de conteúdo. Pelo menos entre o público dessa geração.
Se você der uma olhada no Twitter Moments, por exemplo, a maior parte do material vem de origens ‘verificadas’. Essas organizações ou pessoas são percebidas como possuidoras de uma maior grau de credibilidade, o que agregaria valor ao canal. Com 500 milhões de tweets por dia — e uma tonelada de rumores, informação incorretas ou trolagens — o Twitter aposta naquele nicho que seria, em princípio, de ‘fontes confiáveis’. Por exemplo: em relação ao tema “O que sabemos sobre os suspeitos do tiroteio em San Bernardino” — 14 pessoas morreram e 21 ficaram feridas na Califórnia, no dia 2/12, em um ato que o FBI classificou como terrorista — vemos em destaque CNN, Good Morning America, ThinkProgress, LA Times e New York Magazine.
Essas fontes podem ser consideradas respeitáveis. Mas são exatamente as fontes nas quais os Millennials têm pouca ou nenhuma tendência em acreditar.
O Snapchat também tem uma equipe de curadoria, que está pelo menos um passo à frente da concorrência com seu algoritmo de geo-fencing (recurso que utiliza GPS ou identificação por radiofrequência para definir limites geográficos). Eles sabem que pessoas efetivamente posicionadas no local do acontecimento têm mais chance de serem consideradas fontes com credibilidade. Elas estão fisicamente lá, fazendo parte da história — enquanto muitos usuários do Twitter desabilitam a geolocalização.
Assistir a qualquer história por meio do Snapchat traz a sensação de que você também está naquele lugar, em tempo real. O conteúdo tem origem em usuários comuns. Seus pares. Sem agenda. Sem partidarismo. Apenas uma testemunha vivenciando uma experiência. Em eventos específicos, você percebe que celebridades entram na onda, mas, para mim, a estratégia principal é: “pessoas comuns primeiro, pessoas famosas depois”.
Tudo isso não equivale a dizer que o conteúdo de um usuário é mais valioso do que a produção das fontes tradicionais de notícias. O usuário comum não tem necessariamente o treinamento (ou o tempo) para adicionar contexto, fazer pesquisas detalhadas e investigação jornalística, desenvolver um relacionamento com fontes, compilar dados e entregar uma história convincente. Mas, estando exatamente no momento e no local em que o fato acontece, eles fornecem algo de valor. E oSnapchat está capitalizando sobre isso.
Ken Romano trabalha na Associated Press, mas as visões apresentadas aqui são pessoais.