Ciganos e o desafio de serem reconhecidos como cidadãos do país em que vivem
Um dos grandes dilemas enfrentados por ciganos sem residência fixa é o reconhecimento como cidadãos brasileiros, o que inclui ter acesso a documentos pessoais. Há mais de um milhão de ciganos em terras brasileiras, de acordo com dados da APRECI (Associação de Preservação da Cultura Cigana). Os ciganos viajantes correspondem a mais de 600 mil pessoas e fazem parte da parcela que mais sofre com a marginalização por parte da sociedade.
Em geral, os ciganos que não têm moradia fixa estão impedidos de obter documentação pessoal, na maioria das vezes são excluídos do acesso a políticas de assistência à saúde e educação.
“Muitas vezes acompanhei de perto a via crucis de alguns ciganos na tentativa de obterem seus documentos, ou na hora de internar alguém num hospital, ou no momento de uma cigana dar à luz. São situações bem humilhantes para um ser humano. O mundo pisa em quem não tem um endereço”, diz o Pe Jorge Pierozan (Pe Rocha),Vice-Presidente da Pastoral dos Nômades, entidade da Igreja Católica ligada ao Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e dos Itinerantes.
“Uma vez, me disseram que não poderia ser cigana, pois, era limpa e educada”, diz professora de espanhol Maria José Cote, cigana de origem Calon (etnia predominante na Península Ibérica e Brasil). Cotê faz parte da parcela de mulheres ciganas que residem em casas.