RES PIRAR

Vez ou outra, magoamos alguém. Somos perdoados, mas não permitimos os novos ares do perdão bagunçarem nossos cabelos.
Na prisão da mente, após longas sessões de tortura psicológica, podamos os galhos da auto-confiança antes da primavera florescer.
Nosso corpo não é jardim, é túmulo, onde sonhos se decompõem a sete palmas. Nos aplausos da platéia que assistiu sua redenção de camarote, com direito a bis.
Quem “atirei” a primeira pedra nesta guerra que travamos diariamente? Querido, onde nosso inimigo se escondeu? Porque eu sinto ele percorrendo meus brônquios. 
Disseram que tenho direito a um último suspiro. 
Me deixe respirar as mesmas preocupações que você. 
Assim, expiramos juntos, a pira que é sobreviver a nós.

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