Minha longa e difícil jornada para fora do meu inferno particular.

Trata-se de uma história de amor-próprio. Trata-se de se descobrir, de se reconhecer e de se superar.

Hoje é 25 de setembro e eu pude colher um fruto doce que esperei alguns anos da minha vida. Não é nada que me leve a ser o centro das atenções na última arte que choca no Madison Square Garden. Talvez não seja nada importante demais para você, talvez eu pudesse fazer rapidamente uma lista de 10 coisas que são monetariamente superiores a isto num curto prazo, mas não é a manifestação da minha criação em si, nem o “em que lugar” que o meu caminho trilhado me levou; é a vitória da minha guerra interna. É Letiéri lutando contra sua própria escuridão.

Porque como diria todos os mestres (Rosely, Abraham Hicks, Louise Hay, Luciene, Wayne Dier, Rhonda Byrne, etc) que me acompanharam até aqui: não importa o que acontece, mas sua reação ao que acontece, pois você vai mudar as ofertas e os indicadores uma hora vão mudar e, depois, “o que acontece” também terá que mudar, tal é a lei.

Era 17:06 da tarde quando este e-mail chegou pra mim…

Depois de muita angustia e reprovação, o meu e-mail chegou…Depois de vários anos o meu e-mail chegou… Depois de um concurso complicado em 21 de dezembro de 2013, o meu e-mail chegou. Depois de uma queda horrível na minha vida em que eu achei que seria nomeado no Agosto de 2014, o meu e-mail FINALMENTE chegou…

Daí eu fiquei em Alpha. Mãe, pai, mana e a minha tia gritavam nos meus ouvidos, todos a minha volta e eu só conseguia ficar clicando no “checar” do meu e-mail do bol por diversas vezes sem saber o que fazer. Era tanta angustia, felicidade, prazer, ALÍVIO que eu queria pôr pra fora, tudo queria sair tão junto, que nada conseguia sair de dentro de mim. Eu estava paralisado.

Fiquei lembrando de quando eu cheguei no fórum e de como a vida muda em um, dois anos… Lembrei daquele dezembro de 2012, às 9:30 da manhã: éramos vários fazendo uma redação e concorrendo a uma vaga de estágio no fórum local. Eles eram dos mais variados semestres e eu, do quarto. Um deles parecia um delegado e tinha uma inteligência infinita, o outro tinha argumentos bons e quase sempre me vencia numa discussão sobre a vida. Todos os competidores me botavam medo porque eu achava que era um burro do caralho.

Duas horas pra fazer redação sobre direito constitucional e tudo o que eu sabia escrever na época era que “nem o direito a vida é um direito absoluto, pois em caso de guerra será permitida a pena de morte”. Eu ainda acho que foi essa frase e o meu Português — que nessa altura, alguns semestres depois de começar a estudar para a faculdade e concursos públicos concomitantemente — que era OKAY, me ajudaram a conquistar o primeiro lugar. Eu sabia usar a crase e os porquês, ao menos. Acertava na flexão dos verbos e errava tudo de pontuação e pronomes oblíquos, então cuidei o máximo possível para não usá-los (como se isso fosse possível). E assim consegui o primeiro lugar.

Depois que entramos na fase adulta e já temos anos de vida o suficiente pra poder olhar atrás da nossa história e analisar algum “passado”, vemos coisas curiosas. Por exemplo, no dia em que saiu o resultado e que eu tirei primeiro lugar na redação conheci Liliane, a chefe que mudaria minha vida para sempre, e ela disse pra mim “E aí, tá gostando? É aqui que tu vai trabalhar pelos próximos dois anos e fazer despachos e sentenças. É melhor gostar, porque não há outra sala e nem outra assessora, tampouco outra estagiária” (Marione, que sentaria do meu lado a partir daquele dia) — e riu alto. Quando saí do fórum, saí pra fumar um cigarro sozinho e refletir sobre o meu primeiro dia e fiquei pensando demais na assessora e nos oficiais escreventes que eu conhecera naquele dia. Pensei “Como ela é inteligente e segura de si. Parece que cada movimento é friamente calculado e ela simplesmente domina 4 volumes de processo criminal de 800 páginas como se conhecesse todo o direito. Fico cansado só de pensar o quanto vou ter que caminhar e ler até chegar nesse nível” — Daí, dois anos depois, eu estou combinando com ela nossa viagem, sexta-feira, pra Porto Alegre — para a bendita escolhas de nossas comarcas. Vamos assumir o mesmo concurso, juntos. Os dois aprovados, os dois que batalharam, os dois que conseguiram. Eu sei que eu lutei e que isso não é apenas uma honra e um presente de Deus… e eu também sei que eu sou dramático, mas, cara, só quem conhece pessoas comprometidas e dedicadas sabe que “um dia cansar observando o pique dela” e no outro “virar COLEGA da sua EX-CHEFA” é realmente revolução demais pra uma vida imatura como a minha, ao passo que é, também, uma coisa que me anima e me faz pensar que eu deixei de ter aquele pensamento vira-lata de “eu não posso”. E agora eu tô a alguns passinhos mais perto de me tornar um profissional do caralho que nem a minha eterna chefa ❤.

Então… Oh, sim, eu posso! E posso e DEVO enfrentar esses meus medos como enfrentei aqueles meus medos de não ser aceito, de não conseguir entender, de não conseguir dominar. Foram dicas, conselhos, orientações dessas, sobre o direito, sobre a vida e sobre tudo no geral, que me ajudaram em algumas crises que se eu fosse especificar, faria um livro. Mas não é o foco.

Havia dias em que eu boiava na faculdade. Não entendia nada mesmo, mas eu estudava. Na real, eu tenho a impressão que nestes 10 semestres de faculdade e 4 dentro daquele fórum eu estudei o equivalente a 40 anos da vida de uma pessoa normal. E está tudo ok. Na maior parte do tempo eu não dominei nada, mas quando chegava a manhã, eu levava minhas dúvidas e como quem não quer matar trabalho, mas já matando… “Lili, o que significa tal coisa; eu não entendi o artigo tal” — e lá se iniciavam conversas e aulas que, as vezes, duravam horas, até manhãs inteira.

Por fim, pensar nisso tudo é a minha forma de agradecer ao meu estágio e à minha chefa, porque foi esta pessoa e aquele trabalho que me incentivaram decisivamente a me dedicar a ser um servidor do poder judiciário do meu estado. Esse concurso não foi apenas um tiro que qualquer concurseiro daria no escuro. Foi uma escolha minha. Tanto isso é verdade que eu poderia seguir estudando pra Oficial de Justiça, mas parei. Fiz o concurso, obtive a mesma pontuação. Mas o que eu queria já havia sido conquistado.Não são nove mil pratas por mês que decidem o que eu vou fazer pelos próximos 10 anos (ou até mesmo a vida inteira, se eu quiser), mas sim o que fez o meu coração sorrir durante um estágio de 2 anos, cara, então sim, eu aceito ganhar a metade, mas fazer o que eu fazia que fazia o meu coração ser feliz.

Porque no meu mundo você pede — e é atendido.

É disso que eu tenho certeza agora que eu voltei pro vórtice.

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Recado para o meu melhor amigo, em 26 de setembro de 2015, às 19:00:

“Eu tô chorando muito. As lágrimas escorrem enquanto eu ouço Marry The Night; é a minha história, é a música dos meus últimos cinco anos de vida…É impressionante como um ou dois anos podem revolucionar as nossas vidas. Recordo-me de dois anos e pouco atrás, quando cheguei no fórum pela primeira vez… quando tirei primeiro lugar numa redação tensa, sobre um conteúdo que eu não sabia completamente… a única coisa que eu sabia era que eu queria mudar… o que eu queria depois daquilo? eu também não sabia. Mas eu queria algo. Talvez mudar, talvez me amar, enxergar algum valor em mim… Talvez provar pra mim mesmo que eu tinha valor, que estava ok ter fracassado várias vezes e estar inconforme com todo nosso sistema de ensino brasileiro porque, de verdade, nada, nunca prendeu minha atenção dentro de uma sala de aula. Eu queria mudar. E eu queria mais. E, não sei como, eu consegui. Nunca me conformei com a mesmice e muito menos com o fracasso. Mas era dessa forma que eu me sentia. A sociedade, as circunstâncias, o dinheiro, tudo isso afeta o psicológico de jovens como nós que nascemos observando a segregação mesmo que indireta da maior parte das pessoas. A gente observa o mundo lá fora e a gente sente a dor de não ter tudo o que a gente quer TER e SER, porque todo ser humano SABE o que ele NÃO tem. “Vc é especial, vc é maravilhoso” eles me diziam nessa cidade, mas a gente sabe que eles não gostariam de ser nossos pais por um único motivo. Mesmo que eu fosse quase perfeito. Uma das minhas características me põe na margem de toda a sociedade e a gente que percebeu isso enquanto ainda era criança, que foi inconformado com o sistema, que odiava sala de aula, Português, Literatura, História e Física, a gente sente muito. Mas eu sou ariano. E não choro! E foi esse o meu combustível. “Se eles não precisam de mim e podem não me incluir, então eu também vou chegar no ponto emque eu só precisarei de mim mesmo e serei melhor que eles. Não vou estar abaixo da margem, mas além dela”. É por isso que eu insisto que tu não desista da faculdade, Orlando. Nós temos que ser melhores que eles, nós temos que estar além da margem. Não porque devemos compensar algo — nós somos todos iguais. Mas na loucura deles de acharem que nós não somos bons, vamos mostrar que somos muito, muito mais capazes. Vamos usar a parte ruim deles como desculpa e como combustível. Vamos mostrar pra nós mesmos que somos ilimitados”.

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WE CLOSED THE GAP.

WE ARE COMPLETED.

YES! \o/

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