Redes sociais e um maço de cigarros, por favor
Se você não faz parte de redes sociais você não existe, basicamente. É impossível saber o que você faz, onde você esteve, como você está. É um lugar para observar e ser observado.
Vamos lembrar do início das redes sociais, lá no início dos anos 2000: depois de várias ideias tímidas como GeoCities e o The Globe, surgiu o Friendster, que foi o antecessor do MySpace. A ideia da “primeira rede social” era levar as amizades da vida real para a internet. Logo depois começaram a aparecer várias páginas do mesmo segmento no meio online, que prometiam conectar os seus usuários, para que todos pudessem deixar recados e postar fotos. O Facebook é a rede social mais conhecida nesse formato hoje em dia, com 13 anos no ar.
Não podemos negar que a internet realmente nos deixou mais próximos dos nossos amigos: conseguimos nos comunicar de forma mais fácil, compartilhar conteúdos interessantes, entre outros. Mas até que ponto usamos as redes sociais para essa finalidade boa?
A Real Sociedade de Saúde Pública do Reino Unido e a Universidade de Cambridge realizaram um estudo sobre redes sociais e distúrbios mentais, apontando que pessoas que utilizam por mais de 2 horas por dia estão mais propensos a desenvolver algum problema de saúde mental. Podemos perceber que as coisas vão além de só conectar e aproximar amigos. A ânsia por notificações chega a ser muitas vezes insuportável. Quinze minutos sem olhar para a tela do celular ou do computador traz a sensação de que se está perdendo alguma coisa. O que era para ser comunicação virou um vício.
O vício vem do latim “vitium” que significa falta. O vício é um comportamento repetitivo que causa mal ao viciado e a todos que ficam em volta. Uma pessoa viciada em fumar tem uma rotina: suas pausas para acender um cigarro já têm um horário. Muitas vezes se torna a primeira coisa que ela faz depois de acordar. O mesmo ocorre com as redes sociais. Margarete Mead diz “A virtude é quando se tem a dor seguida do prazer; o vício, é quando se tem o prazer seguido da dor”. A abstinência e, principalmente, a insatisfação com a vida social na internet podem sinalizar o que ela chama de dor após o prazer.
Quando desaprendemos a utilizar redes sociais?
