Lesbianidade política: a possibilidade de uma emancipação anarquista da sexualidade das mulheres?

Entrevista com Natacha Chetcuti, realizada por Irène Pereira, para o periódico anarquista Réfractions.

Tradução livre do francês por: Letticia Leite.

Disponível em francês no site da revista aqui e em PDF aqui.

Motivada pela data que marca, no Brasil, o dia da Visibilidade Lésbica e Bissexual, o dia 29 de agosto, assim como por uma impressão (talvez não acertada) de que a lesbianidade política – no tocante aos aspectos de sua história e de alguns de seus posicionamentos –, trata-se de um assunto não muito conhecido e debatido aqui, decidi traduzir a entrevista que segue abaixo, uma vez que ela discorre, sucintamente, sobre alguns desses pontos, privilegiando explicitamente uma perspectiva francófona.

A referida entrevista foi realizada pela filósofa e socióloga Irène Pereira, com a socióloga francesa Natacha Chetcuti, que é autora, entre outros trabalhos, de uma tese de doutorado defendida em 2008 e publicada em 2010, em francês, sob o título Se dire lesbienne: vie en couple, sexualité et représentation de soi (Dizer-se lésbica: vida em casal, sexualidade e representação de si).

Agradeço a Natacha Chetcuti e a Irène Pereira por terem gentilmente me autorizado a traduzir e publicar essa entrevista.

As ideias desenvolvidas ao longo da entrevista são de inteira responsabilidade das participantes. A tradução livre do francês é de minha inteira responsabilidade.

Imagem extraída do site: http://www.natachachetcuti.com/organisation-de-conferences/

Réfractions: Você poderia explicar no que consiste a lesbianidade política?

Natacha Chetcuti: A lesbianidade política é uma corrente de ideias que nasce nos anos 1980. Vou me limitar a dar algumas indicações sobre a sua história nos países francófonos (França, Canadá, Bélgica…). Trata-se de um movimento que é herdeiro do feminismo materialista, o que significa que ele faz uma crítica da apropriação das mulheres pelos homens em termos de relações sociais de sexo. A base de sua análise retoma o materialismo marxista, diferenciando-se deste pela crítica que ele faz da heterossexualidade, que é concebida não apenas como norma, mas como um regime político. A heterossexualidade designa aí o sistema de apropriação das mulheres pelos homens. A lesbianidade política é, então, concebida não como uma “escolha sexual”, mas como postura estruturante de uma análise política. Essa corrente tem como fontes dois artigos fundamentais de Monique Wittig: “On ne naît pas femme” e “La pensée straight”(1), originalmente publicados na revista Questions féministes. As controvérsias em torno desses dois artigos encontram-se vinculadas ao nascimento da lesbianidade política como uma corrente diferenciada do feminismo, incluso o materialista.

Os anos 1980–1984 marcam o nascimento de locais como os Archives Lesbiennes (Arquivos lésbicos), ou ainda a existência do Front des lesbiennes radicales (Fronte de lésbicas radicais). Podemos igualmente mencionar a revista franco-canadense Amazones d’hier, lesbiennes d’aujourd’hui, que existiu ao longo de mais ou menos vinte anos, ou seja, até o começo dos anos 2000.

Entretanto, no contexto de ressurgimento do movimento gay, vinculado à emergência da AIDS, das teorias queers, e da reivindicação de uma igualdade de direitos entre homossexuais e heterossexuais, podemos constatar um enfraquecimento significativo da lesbianidade política, entre os anos 2000 e 2010, se comparados aos anos precedentes.

R.: Pode-se considerar que a lesbianidade política propõe uma estratégia de emancipação das mulheres, tendo em vista que as classes sexuais não foram abolidas. É isso, ao que me parece, que Monique Wittig quis dizer, ao afirmar que as lésbicas não são mulheres, comparando-as às escravas refugiadas, que teriam escapado do sistema político da heterossexualidade compulsória(2), que constrói as categorias sociais de sexo. Então, justamente, em que e como a lesbianidade política colocou em prática ideias emancipatórias relativas à sexualidade das mulheres?

N.C.: A lesbianidade política sempre foi um movimento minoritário – dentro e fora do feminismo – de transformação social pelas margens. Além disso, mesmo entre as mais politizadas, a norma da monogamia continuou predominante. A dificuldade de pensar uma sexualidade como “script recreativo”(3) encontra-se na articulação implícita entre afetos e sexualidade. A vivência da sexualidade fora do duo “oficial” implica, com frequência, em um desengajamento afetivo de uma ou da outra parceira. Talvez seja por isso que a noção de polifidelidade teve sucesso, nos anos 2000, no âmbito dos grupos militantes antirreformistas e anti-capitalistas. Trata-se, para aquelas que a reivindicam, de manter uma relação afetiva sexual com duas, três pessoas… Há nessa prática alguns pontos que vêm ao encontro do anarquismo, na medida em que se procura não hierarquizar as parceiras e colocar em questão as relações de rivalidades entre as mulheres. Isso é ainda mais importante como postura política, uma vez que se opõe ao esquema tradicional, no qual as mulheres são socialmente educadas para serem rivais, em oposição aos homens, que são socializados de modo a se considerarem como pares.

Outras práticas me parecem também estarem atreladas à essa reinvenção política da sexualidade proposta pelas lésbicas políticas, por intermédio dos contra espaços culturais e políticos não mistos. Refiro-me, em especial, aos espaços de vida coletiva que não se fundam sobre o regime da sexualidade, onde a vida em comum (habitat e/ou sociabilidade política) não implica necessariamente a sexualidade. Busca-se, assim, inventar novas formas de solidariedade, que passam por modos de vida ligados à ecologia e a outras possibilidades econômicas.

Um outro modo de relação que me parece específico às lésbicas em geral (políticas ou não), é a multiparceria afetiva. Ele implica a manutenção de laços entre as antigas parceiras/amantes, que constituem uma rede de ajuda mútua e de solidariedade. O que me parece interessante, nesse caso, é a relação de independência, mas não necessariamente de ruptura, com relação à família biológica.

R.: Se eu bem entendi, você quer dizer que, na medida em que ela faz da homossexualidade uma orientação sexual política, a contribuição da lesbianidade política é fomentar uma desconstrução de certos lugares que são naturalizados pela instituição do casal e da família: a ligação entre vida comum e sexualidade, entre vida comum e laços biológicos, ou ainda entre solidariedade econômica e laços familiares… Porém, ao lhe escutar, podemos perguntar se a lesbianidade política, como forma de emancipação da sexualidade das mulheres, não fica atrás das utopias sexuais vinculadas à liberação sexual dos anos 1970?

N.C.: A meu ver, é preciso ter em mente que a reivindicação por uma revolução sexual nos anos 1970 foi, sobretudo, um slogan do movimento gay ou do freudo-marxismo de Reich, e não do movimento feminista. Trata-se de uma terminologia bastante masculina e, portanto, orientada de acordo com os seus interesses. O discurso das feministas foi outro. Para além das divergências de estratégia política, o que lhes foi comum foi a luta pela reapropriação, por parte das mulheres, de seus corpos, e que passava pelo domínio, um controle da sexualidade pelas mesmas, e por uma dissociação entre a sexualidade e a sua função procriadora. A “livre disposição do próprio corpo” era a exigência para a emancipação das normas naturalizadas. O Habeas corpus das mulheres, segundo a expressão de Geneviève Fraisse(4), designava o fato de que elas deixavam de ser referenciadas pelo seu ventre, de poder afirmar que se pode ser mulher sem ser mãe, e que a maternidade não é nem um instinto, nem um destino, e tampouco uma especificidade que define as mulheres(5). Para as feministas materialistas, como Colette Guillaumin por intermédio da noção de “sexage”(6), o casamento como instituição aparece como uma apropriação da sexualidade das mulheres, uma exploração delas em proveito dos homens enquanto classe sexual. A partir desse modelo marxista, as mulheres foram analisadas como um grupo, cujo fundamento estava na relação social de exploração econômica do modo de produção doméstica(7).

R.: Em que aspecto emancipação da sexualidade das mulheres, tal como ela é reivindicada pela lesbianidade política, viria ao encontro de uma crítica anarquista e, particularmente, de uma crítica ao Estado?

N.C.: As análises às quais eu me refiro são marcadas por uma teoria de lutas de classes econômicas, oriundas do marxismo. Trata-se, então, em primeiro lugar, de conceber uma revolução que coloca em questão a exploração econômica das mulheres enquanto classe sexual. Essa visão libertária de uma autorregulação critica a noção de Estado, tal como ela se encontra hoje, na França e no mundo, quer dizer, corrompida pelo neoliberalimo.

Parece-me que há pelo menos dois pontos que podem levar uma tendência da lesbianidade política, que tem uma orientação “revolucionária”, a uma crítica do Estado. O primeiro remete ao fato de que o Estado institui juridicamente uma ideologia familiarista, que é combatida pela lesbianidade política. O segundo ponto pode ser levantado a partir do conceito, específico à lesbianidade política, da homossociabilidade. Existe, na classe sexual dos homens – para além da oposição entre gays e héteros – uma solidariedade de interesses. A homossociabilidade reporta ao fato de que a sociedade é organizada pelos homens, a serviço dos homens. Consequentemente, o Estado é o instrumento da classe econômica dominante, regulado pela classe sexual dos homens. O que, entre outras coisas, traduz-se pela presença maciça dos homens nos postos de representação política.

R.: Ao apresentar a lesbianidade política, você fez alusão ao fato de que ela quase desapareceu como corrente política na virada do século XX. Será que isso poderia estar relacionado ao fato de que a homossexualidade teria deixado de representar uma prática sexual subversiva, e de que a militância em prol da igualdade de direitos entre homo e heterossexuais passou a reivindicar uma espécie de normalização? Nesse sentido, a lesbianidade política poderia, ainda hoje, colocar em pauta reivindicações políticas subversivas?

N.C.: De fato, nos anos 1970, por constituírem uma categoria sexual inferiorizada, as correntes homossexuais tinham a expectativa de subverter a sociedade a partir das margens. Hoje, pode-se ter a impressão de que o conjunto do movimento homossexual deixou de aspirar a uma reinvenção das normas, passando a desejar existir como a norma, fundindo-se a ela. Nesse contexto, pode-se perguntar quais são de fato as intenções que levaram à reivindicação do casamento gay e lésbico. Pois, ainda que reivindicar o direito à escolha de se casar ou não constitua uma liberdade individual legítima – e nisso a legalização dos casais formados por pessoas do mesmo sexo constitui um avanço social –, esse processo de legalização não reforçaria as formas de discriminação com relação àqueles e àquelas que se distanciam dessa norma conjugal? Isso não corre o risco de criar novas exclusões? De fato, mesmo se a luta em prol do casamento e do direito ao reconhecimento legal da filiação é fundada e justificada dentro de um determinado quadro jurídico, a questão posta pelas correntes antirreformistas é saber se essas reivindicações são realmente emancipatórias para as lésbicas que não adotam o padrão conjugal como modelo e/ou que não inscrevem a filiação nos seus projetos de vida. Podemos também nos perguntar que tipo de proteção é garantida àquelas que, por exemplo, são obrigadas a emigrar, para viverem livremente a sua orientação sexual?

A lesbianidade política antirreformista, oposta às reivindicações igualitaristas que emergiram na esteira do movimento gay e da epidemia de Aids, que impulsionou a criação do Pacs (Pacto de Solidariedade Civil)(8), propõe avanços que se traduzam na conquista de direitos universais, e que estejam mais vinculados aos indivíduos e às pessoas do que à família(9). Isso permitiria oferecer uma equidade às diferentes formas relacionais existentes, por exemplo: manter uma relação afetiva com alguém, sem que isso necessariamente implique em uma comunhão econômica ou o contrário, a possibilidade de compartilhar a vida com pessoas com as quais não temos uma relação afetiva e sexual.

R.: A lesbianidade política como projeto de emancipação da sexualidade das mulheres não acabou sendo relegada a um certo esquecimento com a ascensão do movimento queer? A reivindicação do casamento, por exemplo, não é necessariamente considerada de uma maneira crítica por esse movimento. Pode-se ter a impressão de que a herança da desconstrução da categoria de sexo, tal como apresentada na obra de Monique Wittig, foi captada pelo movimento queer mas, com frequência, a lesbianidade política não é conhecida e, quando Wittig é evocada, ela é vista pelo perspectiva de Judith Butler. Mas, tendo em vista o que foi defendido pela lesbianidade política, não haveria riscos nas perspectivas propostas pela militância queer?

N.C.: Eu acho que nós não podemos homogeneizar o pensamento queer, como as “traduções” francesas militantes e/ou acadêmicas tendem a fazer. Como o espaço de uma entrevista não me permite expor as suas nuances, vou, então, explicitar três pontos de divergência entre a lesbianidade política e a teoria queer, em termos de estratégia política. A primeira consiste no fato de que o feminismo (e a lesbianidade política) partia de uma experiência vivida dentro da dominação em termos de relação social entre os sexos, de classe e de “raça”, da fala das mulheres sobre essa dominação. Daí decorre a importância da existência de espaços não mistos, que permitiam que essas falas tivessem seu lugar de expressão. Esse não é necessariamente o caso, do movimento queer, que por isso é um movimento misto. O segundo ponto é que, para esse último, trata-se de subverter as normas, e não de combater um regime político que tem uma base material(10).

Com efeito, a recuperação da noção de heteronormatividade, não como um sistema político, mas como reguladora de um poder normativo, toma parte nessa despolitização de saberes críticos, conduzindo a despi-los de sua radicalidade. A principal crítica das adeptas da lesbianidade política à teoria queer diz respeito à referência à “marca de gênero”(11). Na medida em que não deseja a supressão das marcas de gênero, a tendência queer majoritária vai em direção a uma pluralização das formas de gênero. Essa plasticidade performativa seria a via para que cada indivíduo transgredisse a norma. Tratar-se-ia, então, de uma atitude mais próxima de uma perspectiva liberal de emancipação dos símbolos normativos. Essa seria, então, a terceira divergência, pois tem um impacto sobre as estratégias de emancipação. À luz do banqueiro de Fernando Pessoa, essa tradução do anarquismo permite pensar que a melhor maneira de servir a liberdade não é a ação coletiva, que inevitavelmente se degeneraria em tirania, mas libertar-se a si próprio(12). No romance crítico de Pessoa, é tendo o controle do dinheiro que o banqueiro pode se livrar de toda alienação social. Nesse caso, seria tendo o controle sobre o gênero, que mulheres e homens se veriam libertos das socializações de gênero.

De uma perspectiva materialista e lésbica política, não poderá haver emancipação, sem que ela seja construída de forma coletiva. Segundo uma certa prática queer, essa transgressão se afirma, sobretudo, por intermédio de um uso individual da performatividade. Com isso não quero dizer que o individual é irrelevante, mas que um depende do outro. Além do mais, o neoliberalismo e seu poder normativo podem atuar no sentido de fazer uma crítica às normas de gênero. Nessa dinâmica, nesses últimos, na França(13), houve uma proliferação dos estudos sobre a desconstrução das normas de gênero, sem que no entanto isso levasse a pensar em alternativas sociais. Aliás, mesmo no âmbito publicitário fala-se hoje em marketing de gênero.

R.: Em que sentido você diria que a emancipação sexual das mulheres continuaria ainda hoje a conter um objetivo político?

N.C.: A ideia de que a sexualidade não escapa às relações sociais de sexo me parece ser um aspecto assimilado desde os anos 1970, desde que as feministas evidenciaram que “o privado é político”. No entanto me parece que a questão permanece atual: como as práticas sexuais podem ser emancipatórias? O que me interessou no meu estudo sobre a lesbianidade, no que se refere aos usos e discursos sobre as práticas sexuais (entre outros), foi justamente ter sido levada a questionar de que modo um grupo, que a priori não se define a partir das diferenças sexuais entre as parceiras, pode contribuir para produzir uma geografia corporal que emancipa a sexualidade. Parece-me que o fato da sexualidade lésbica não ser definida tomando como centro a prática da penetração, conduz a uma desterritorialização dos corpos e das práticas. Consequentemente, o script sexual, quer dizer, o roteiro sexual, não é definido por uma prática central em torno da qual as expectativas das parceiras gravitam. Na perspectiva de uma política de emancipação da sexualidade das mulheres, isso também é interessante por implicar na crítica de uma sexualidade androcêntrica, fundada em uma hierarquização das práticas sexuais.

NOTAS

(1) Nota da tradutora. Ver uma tradução desse artigo aqui.

(2) Nota da tradutora. Sobre a relação feminismo e heterossexualidade, indico o post recentemente escrito por Maria Clara Bubna: “Feministas heterossexuais são hipócritas?”. Disponível aqui e aqui.

(3) Entende-se por “script recreativo” um cenário de interações sexuais no qual pouco ou nada se associa o prazer sexual a formas de gratificações afetivas. Ver Arnaud Lerch, « Réécrire le script ? Conjugalité et sexualité dans les couples gais non exclusifs », in DESCOUTURES, Virginie ; DIGOIX, Marie ; FASSIN, Éric ; RAULT, Wilfried (dir.) ; Mariages et homosexualités dans le monde. L’arrangements des formes familiales, Paris, Autrement, 2008, p. 177–188.

(4) FRAISSE, Geneviève, « L’Habeas corpus des femmes : une double révolution ? », in La controverse des sexes, Paris, PUF, 2001. Ver também da mesma autora : « En finir avec la ‘condition’ féminine ? ». Artigo disponível aqui. Acesso : 08/08/2016.

(5) PICQ, Françoise, « ‘Vous avez dit queer ?’ La question de l’identité et du féminisme », Réfractions, n° 24, mai 2010, p. 5–13. Artigo disponível aqui. Acesso : 08/08/2016.

(6) Nota da tradutora. Ver nesse sentido a nota presente na tradução recentemente publicada do artigo “Prática do poder e ideia de natureza”, de Colette Guillaumin: “O termo ‘sexage’ foi criado por Guillaumin em analogia com os termos “servage” (que significa servidão) e “esclavage” (que significa escravidão)”. Em: FERREIRA, Verônica; ÁVILA, Maria Betânia; FALQUET, Jules; ABREU, Maira (orgs.), O patriarcado desvendado: teorias de três feministas materialistas: Colette Guillaumin, Paola Tabet e Nicole Claude-Mathieu, Recife, SOS Corpo, 2014, p. 34, nota 6.

(7) DELPHY, Christine Dupont, « L’Ennemi principal », Partisans, 54–55, juillet-octobre, 1970, p. 157–172.

(8) Nota da tradutora. O PACS (Pacte Civil de Solidarité) trata-se de um acordo de união civil vigente desde 1999, que inclui a união entre pessoas do mesmo sexo e dá acesso a uma série de direitos civis. Entretanto, este acordo não é um equivalente jurídico do casamento civil.

(9) CHAREST, Danièle, « Les contrats apparentés au mariage : une fuite en arrière », in CHETCUTI, Natacha ; MICHARD, Claire (dir.), Lesbianisme et féminisme : histoires politiques, Paris, L’Harmattan, 2003, p. 277–287.

(10) Nota da tradutora. Para uma outra perspectiva sobre o potencial político da teoria queer, ver as ideias expostas pela professora Guacira Lopes Louro, de forma sucinta, na entrevista disponível aqui. Acesso : 08/08/2016.

(11) MATHIEU, Nicole-Claude, « Dérivé du genre/stabilité des sexes », in CHETCUTI ; MICHARD (dir.), opt. cit., p. 291–310.

(12) PESSOA, Fernando, “O Banqueiro Anarquista”, 1922, p. 18. Disponível aqui. Acesso : 08/08/2016.

(13) Ver nesse sentido: PERREAU, Bruno, « La réception du geste queer en France. Performativité, subjectivation et “devenir minoritaire”, in CHETCUTI, N. ; GRECO, L. (dir.), La face cachée du genre, Paris, Presses Sorbonne Nouvelle, 2012, p. 123–142.