A tal da crise.

Aqui em casa falta luz direto.
Não sei se é sacanagem da Celpe ou se realmente vem acontecendo algo sério.
Sei lá.
Poste caindo, batida de carro, acidente.
Eu só sei que vivo no escuro.
Quando todas as luzes apagam e eu fico sozinha, abrindo os olhos ao máximo e enxergando um completo breu é que percebo o quanto sou medrosa. Já penso logo naquele cara que caiu do céu e que não deve ser citado. Penso em uns monstros esteticamente incentivados pelos filmes de terror que já vi ao longo da vida. Penso em assalto, violência, abuso. Minha cadela dá um latido e meu coração vai na boca. Me sinto bem infantil quando a única solução que consigo pensar é a de ir correndo para o quarto, deitar na cama e me cobrir com o cobertor que nem uma múmia. Pronto. Finalmente segura. Aqui dentro do meu esconderijo nem Lúcifer me encontra.
Queria ter um esconderijo pra vida também. Ultimamente sinto que tô fazendo tudo errado e que todas as metas que estipulei tão indo por um caminho completamente diferente. Pra começo de conversa, eu queria me formar. Fui pesquisar num site de ícones dia desses a palavra “sucesso” e me apareceram milhões de imagens de graduandos com um diploma na mão. Foi aí que percebi que, realmente, pra ter sucesso na vida lá fora mais vale um diploma do que ser desenrolado. Às vezes você é desenrolado e sua família pensa que você é vagabundo. Eu desisti da faculdade depois que notei que estava gastando muita grana e fazendo muitos nadas. Até hoje minha mãe me vem com esse assunto. Acho que na cabeça dela, se tudo der errado: pelo menos eu tenho um diploma.
Estava conversando com uma amiga sobre a crise dos vinte e pouquinhos. Eu tive uma crise dos quase vinte, também. A partir dos 18 eu já comecei a ficar meio desgraçada da cabeça, e a tendência, pelo que venho analisando, é piorar. Na conversa, chegamos à conclusão que todo mundo tá no fundo do poço nessa idade. O que a gente não sabe é se sempre foi desse jeito em todas as gerações ou se piorou na de agora. A gente acha que piorou. O que falam por aí é que nasci em uma geração dramática, cheia de “mimimi” e que reclama demais. Eu só culpo o Twitter por isso. Começo a segunda-feira já pensando na cachaça da sexta e no sono profundo que terei no sábado. Eu vivo numa repetição eterna dos mesmos dias e um pedacinho de mim espera algo novo toda vez que o relógio aponta meia noite, porque daí já é amanhã.
Me bate um peso quando paro pra pensar nisso. Será que vai ser sempre assim? Será que melhora? A gente passa anos estudando na escola pra entrar numa boa faculdade. Depois a gente passa mais anos estudando na faculdade pra conseguir um bom emprego. E aí é isso. Você vive trabalhando, até que você morre. Teoricamente, eu cheguei no ápice da linha do tempo da minha vida. É o melhor exemplo que você vai encontrar de expectativa x realidade. Triste.
Olhando pra trás, eu tô realmente na minha pior fase. Eu era super bem decidida quando mais nova. Hoje em dia, penso no futuro e percebo que tô sozinha, abrindo os olhos ao máximo e enxergando um completo breu.
Eu vivo no escuro. E nem é a Celpe dessa vez.
Mas é tranquilo, eu acho.
Dizem que quando você passa muito tempo no escuro, começa a ficar mais claro.