Junk Food Chimney

Eu tenho um grande afeto pelas coisas pequenas.
Nunca fui muito chegada em grandes demonstrações de amor, pra ser sincera acho meio brega. Eu gosto mesmo é de acordar depois das 12pm e ver mensagens no celular me dando bom dia, mesmo sabendo que eu só posso responder com um boa tarde. Acho que todo mundo experiencia o amor de uma maneira diferente e nunca tem um jeito não-clichê de falar sobre isso. O amor é clichê mesmo. É clichê como lembrar de um dia a partir de cores e nunca esquecer de pessoas por causa de músicas.
Eu vivi amor quando briguei (de verdade) porque achei que gostavam mais de um temaki do que de mim. E quando, uma vez, cheguei de uma festa e fui dormir direto sem avisar, sendo acordada no outro dia com minha mãe reclamando que ligaram milhões de vezes pra ela perguntando por mim. Eu vivi amor no momento que percebi que esquecia todos os meus perrengues quando estava perto de alguém. A gente só nota quando tá na pior, parece. Vivi amor quando tive músicas estragadas, só pra depois superar e sentir um quentinho no coração sempre que escuto de novo. Quando chorei em sincronia com quem estava a quilômetros de distância de mim e logo em seguida ri todos os sufocos afora. E quando a vida vira um amontoado de problemas e não tenho muita cabeça pra conversar, mas sei que vai ficar tudo bem quando a gente se encontrar pra “conversar potoca”. Eu vivi todos os dias que combinamos de tomar açaí e passamos horas sentados na esquina debatendo sobre psicologia e mapa astral. E também aquela vez que passei mal (não bebam álcool de barriga vazia) e cuidaram de mim sem reclamar um pio. Nunca vou esquecer da nossa santa ceia em pleno quase Natal, todo mundo reunido em volta de uma mesa comendo a melhor lasanha já feita. Família. Vivi amor todas as vezes em que me senti abraçada sem precisar de fato encostar um dedo em alguém e todas as vezes que lembraram de mim com piadinhas infames e cantadas cafonas. Quando sentiram minha falta. E quando senti um buraco em mim de saudade.
Eu fui amada e eu amei também.
Geralmente é morno, mas às vezes eu me sufoco um pouco.
E não faz mal morrer de amor, eu acho.
Pelo menos eu vivi.