O inicio, o fim e o meio do Desenvolvimento Front-End

Sou desenvolvedor desde 2009, nessa época ainda não existia o termo “Front-End Developer” e essa profissão passou por diversas mudanças desde então.

O inicio

Estou no mercado desde 2009, ou seja, 8 anos. Em uma profissão tradicional, 8 anos é quase nada. Mas no mundo do desenvolvimento, ainda em amadurecimento e cheio de jovens criando coisas incríveis, sou quase um veterano.

Mas mesmo assim 8 anos continuam sendo pouco, muito pouco. Conheço pessoas que estão a 15 ou 20 anos no mercado, e se eu vi muitas coisas mudarem e se transformarem, fico imaginando elas.

E sabe o que é incrível? Nessa profissão, tempo no mercado não diz nada sobre o nível profissional, tem muitos “iniciantes” fazendo coisas inacreditáveis e muitos “seniores” parados no tempo, relembrando com nostalgia de quando a profissão não era “orientada a modinha”, como alguns gostam de dizer.

Em 2009 ainda desenvolvia para IE6 usando .png transparente para fazer bordas arredondadas, CSS3 e HTML5 eram novidade e seu uso desencorajado, jQuery era a sensação do momento e começava a escutar sobre Design Responsivo.

De lá pra cá, os navegadores estão cada vez mais modernos, usamos progressive enhancement sem dó nem piedade, criamos aplicações inteiras usando apenas JavaScript e estamos falando de progressive web apps.

Que época incrível para ser desenvolvedor…

O Fim

Não, não é “O Fim” de final, é “O Fim” de finalidade… afinal de contas, qual é a finalidade de um Desenvolvedor Front-End hoje?

Node.js é um marco na história

Foi criado em 2009 e o mundo nunca mais foi o mesmo.

E não, eu não estava exagerando. O Node.js é um marco na história do desenvolvimento e transformou todo o ecossistema ao seu redor.

Nem sempre Front-Enders tinham background em Ciências da Computação ou fluência em programação. Isso porque muitos eram Designers ou tinham background em Design, e eu sou um deles.

Acabava que muitas vezes a finalidade de um Front-Ender Developer era literalmente “recortar layout” e fazer websites fiéis ao PSD usando HTML e CSS, para em seguida passar o código para ser implementado no Back-End.

Mas o Node.js surgiu e os Back-Enders perceberam que era possível e em muitos casos, interessante, usar JavaScript nas aplicações e… bingo! Era uma linguagem já confortável para qualquer Front-Ender. E de quebra isso ainda ajudou a diminuir a curva de aprendizado para outras linguagens.

As coisas ficaram velozes desde então, com Back-Enders e Front-Enders trabalhando num ecossistema confortável para ambos, soluções incríveis foram surgindo e chegamos ao…

Fantástico mundo dos hypes

Alguns odeiam hypes, mas eles são essenciais para a evolução do mercado. Toda e qualquer ferramenta ou framework consolidados surgiram inspirados em conceitos de algum hype, e eles próprios já foram um hype no passado.

Isso significa que por mais que pareça assustador surgir libs todos os dias, são elas que servem de inspiração ou de base para que alguma pessoa ou empresa crie soluções espetaculares como o React, o Angular ou o Vue.js.

Mas qual o papel de Front-End Developers hoje?

Penso que o “desktop” tem data de validade, conheço cada vez menos pessoas que usam um computador para simplesmente navegar na internet.

Por praticidade e várias outras razões, boa parte dos acessos são feitos usando celular ou tablet.

“Ahh, mas no site X que eu desenvolvi 80% dos acessos são desktop”

Sim, não duvido. Mas aposto que boa parte dos acessos são feitos durante o trabalho, quando as pessoas estão em frente ao computador. Quem não trabalha com tecnologia, dificilmente vai chegar em casa e ligar o computador para navegar. É muito mais prático e confortável fazer isso de um smartphone.

Sendo assim, penso que sites institucionais como conhecemos devem diminuir muito nos próximos anos. É muito mais fácil construir um site no Wix ou mesmo gerar engajamento criando uma página no Facebook ou outra rede social, do que contratando um profissional ou agência para fazer um site estático.

Mas muitas agencias vivem disso, então elas terão que se adaptar para oferecer soluções relevantes para os clientes, ou seja, aplicações cada vez mais especificas e híbridas. E isso impacta diretamente no mundo Front-End.

Impacta porque Front-Enders também vão precisar se adaptar. Developers, que sabem HTML, CSS e um pouco de JavaScript terão que participar ativamente no desenvolvimento de aplicações e isso inclui melhorar suas skills como engenheiro de software, ou mesmo migrar para áreas relacionadas a UX e Design.

Esse cenário já é padrão para quem trabalha com produto. Sempre vai ter developers mais fluentes na parte visual e outros mais fluentes em programação, mas todos precisam ter skills amplas.

Mas ontem, hoje ou amanhã, a finalidade será sempre a mesma: desenvolver entregáveis digitais

O Meio

E qual o meio para isso? Sim, código.

Você pode fazer um código extraordinário e ficar horas olhando para a tela impressionado com a criação, mas se o resultado desse código incrível for um produto sem relevância, ele vai servir só para alimentar seu próprio ego.

Developers cada vez mais precisam entender e gostar de UX e participar ativamente da concepção de um produto. Sua percepção e olhar são essenciais para o sucesso deste.

Termos como: Web Developer, Web Designer, Web-qualquer-coisa, estão deixando de fazer sentido e estamos nos tornando Software Engineers, Software Developers, Product Engineers, Product Developers… ou qualquer outra palavra bonita que queira usar.

Isso significa que daqui 20 anos talvez não estaremos usando JavaScript, HTML e CSS, mas tanto faz. Teremos nos adaptado e continuaremos desenvolvendo produtos, nem que sejam robôs que façam o mesmo trabalho que estamos fazendo em 2017.

É nóis ;)