Coisas maravilhosas demais para mim

A oração abre os nossos olhos.

Quando eu não oro, fico confiante nas minhas próprias habilidades. Esta confiança tem certo preço, visto que está sempre acompanhada da possibilidade de fracasso. E se esta possibilidade se concretizar, dou de cara com uma enorme frustração — também pudera, aquilo em que confiava mostrou-se claramente insuficiente.

Quando eu oro, eu me sinto empoderado. E, na minha cabeça, a distinção entre empoderado e confiante é algo interessante. Quando confiante, minha esperança sou eu mesmo. Mas a natureza do empoderamento, ao menos ao meu ver, pressupõe uma capacidade que não vem do próprio sujeito que a recebe.

Ao mesmo tempo em que me sinto empoderado, me sinto desafiado.

Conversava com um amigo sobre isto há alguns dias. Há ocasiões em que um obstáculo a ser superado me parece uma montanha. Eu sei que tenho a capacidade e a força física para vencê-la, mas não tenho disposição para fazê-lo. Faço, escalo e venço, mas meramente porque sei que isto é a coisa certa e o que tem de ser feito. Essa é, também, a perspectiva que tenho no dia a dia quando não oro.

Quando oro, no entanto, além de empoderado, as tarefas cotidianas (e até aquelas que não são tão cotidianas assim) fazem com que me sinta desafiado — e digo isto de maneira quase romântica. O desafio é quase uma provocação. É como se eu fosse seduzido a vencê-lo, e cumprir o desafio traz um sentimento que só explicado, creio, pela ideia de satisfação.

Quando oro, tudo é fonte de satisfação. Tudo é motivo de alegria. Cada desafio vencido faz com que eu me sinta realizado. Como se o meu objetivo de vida tivesse sido cumprido, e cumprido bem — executado com excelência e digno de altas honrarias.

É porque, na verdade, é exatamente isto que acontece mesmo.

Pessoalmente, a minha tendência é me preocupar demais com questões periféricas. Quando oro, parece que a mente fica ajustada na exata amplitude de pensamento apropriada a cada situação. Quando não preciso pensar em tudo, posso fazer cada coisa com excelência numa perspectiva micro.

E, meus caros, é assim que tem que ser. Se digo que realmente confio no Senhor, não faz sentido querer cuidar de tudo o tempo todo. Já diria um grande amigo meu, de longa data: basta a cada dia o seu mal. Eu quero é pensar só no mal de hoje, e vencê-lo com o empoderamento dado pelo Espírito Santo. E no fim da luta contra os principados e potestades do dia de hoje, eu quero dormir tranquilo sabendo que amanhã tem mais.

Bicho, eu quero orar mais. O resultado de mais oração é uma visão mais ajustada e realista da vida. É a consciência da segurança que tenho no meu Pai. É a alegria de saber que eu estou no time que sempre ganha, mesmo quando parece que eu fiquei sozinho na defesa sem goleiro.