Lígia Francisco
Aug 26, 2017 · 2 min read

Maria Érbia

Arrastando palavras na tela do celular, vejo mensagens de condolências. Num primeiro momento pensei que minha amiga Maria havia perdido algum familiar. Eu realmente sinto muito quando vejo esse tipo de postagem. Não estava fazendo muito sentido. Arrastei meus dedos mais um pouco e “entendi” que quem perdeu fui eu, fomos nós todos. Maria se foi. É inaceitável. Um coração tão bom.

Nos encontramos em Berkeley há dois anos. Ela havia vindo a um congresso durante sua estadia em Nova York. Almoçamos juntas. Conversamos sobre a vida, sobre nossos sonhos. E esse simples encontro de algumas horas me trouxe tanta alegria. Eu perguntei se podia tirar uma foto dela, porque na época eu estava treinando retratos. Foi um ato de confiança.

Eu me senti grata, pelo encontro, pela conversa e por ter alguém que fazia parte da minha vida em Campinas colorindo minha vida aqui nos EUA. A Maria era cores, tinha uma paz inquieta de quem tem sonhos grandes e bonitos. Nós não tivemos tanto contato, ela era muito amiga da Ju, que morava comigo e logo eu me mudei do Brasil.

Eu gostaria de abraçar a Juliana por horas e apenas lhe fazer companhia na sua tristeza. Uma tristeza muito grande para se carregar só. Uma tristeza inaceitável, incabível e dilaceradora. Pensar na Maria me traz tranquilidade e admiração. É muito difícil lidar com esses sentimentos, nos sentimos tristes e sozinhos.

Mas eu tenho certeza de que há uma multidão nesse momento chorando pela Maria. Uma multidão que ela encantou pelo mundo afora, falando sempre com carinho do seu Ceará. Vamos todos aflorar nossa Maria, e celebrar com pesar o que temos de melhor em nossos corações.

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