Um mofado debate entre velhos partidos


O eleitor que foi ver o primeiro debate presidencial procurando por renovação política voltou de mãos vazias. Muito populismo barato e sopa de números, pouca vontade de criticar o sistema apodrecido que ainda suga a República.

O problema inicial está no rol de participantes: num Brasil onde as redes sociais se tornam a maior fonte de interação e informação sobre política, a emissora Band recusou-se a convidar o presidenciável João Amoêdo ao debate.

Amoêdo lidera em crescimento de seguidores e disputa a liderança em engajamento. Seu partido, o NOVO, é a única sigla fundada nos últimos vinte anos que não é dissidência de outro partido, não é criação de sindicato nem de entidade religiosa.

É um deboche que nulidades como Guilherme Boulos e Cabo Daciolo tenham chance de falar pois seus partidos tem bancada parlamentar, mas a mesma chance ser negada a um presidenciável com apoio espontâneo de cidadãos comuns que também se mobilizaram para construir um projeto partidário do zero.

E isso fez toda a diferença no debate: Amoêdo seria a grande figura para criticar o uso de dinheiro público nas campanhas eleitorais e atividades partidárias, esquema responsável por termos 35 partidos políticos que em maioria não fariam falta aos brasileiros caso fechassem amanhã.

Também seria Amoêdo o melhor presidenciável para criticar as negociatas partidárias por tempo de televisão. Afinal, o NOVO é o único partido a rejeitar por princípio a prática que dará a Alckmin um enorme tempo para fazer politicagem diante dos brasileiros usando-se do dinheiro deles.

Finalmente, Amoêdo traria uma crítica firme aos privilégios dos políticos e à gastança de um governo federal inchado. E diferente dos demais presidenciáveis, não teria teto de vidro ao falar: todo representante do NOVO se compromete a cortar gastos do seu gabinete e votar a favor da responsabilidade fiscal, incluindo reduzir o tamanho do governo e privatizar as estatais.

Sua ausência permitiu que políticos de carreira se fantasiassem de mudança e que representantes de um sistema obsceno se fantasiassem de gestores responsáveis. Um verdadeiro desfile de pilantras que ganharam mídia sem dar satisfação ao eleitor por suas condutas.

Quem perdeu não foi Amoêdo: quem perdeu foi o Brasil.

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