Fogo de palha
Enquanto você ria da última história frustrada que seu amigo contava, ela se apaixonava mais uma vez. Não era por você.
Aquele sábado lotado, na rua popular da vez, marcou o seu fim de semana e te fez desejar reviver e reviver. Ela não te viu.
Quando você a conheceu, não foi recíproco e talvez um dia ela vá descobrir o seu nome, numa data distante, depois que até mesmo a sua admiração acabar. Mas você viveu cada dia dela, torceu de longe, acompanhou o corte de cabelo, rezou pra um santo inventado que desse certo o tal teste, ainda que você não soubesse para o que era. Viveu.
Onde tem profundidade, tem apego? Sabemos que raíz se firma assim, no profundo, mas também sabemos que o solo tem que estar preparado para apoiar o crescimento do que está por vir. Dito assim, fica claro: em terra de amor unilateral, não se cria um casal.
Ousaram temer por você. O que a falta do que você nunca nem mesmo teve faria daqui em diante? Mas deveriam temer por ela. Você estava mais preparado. Qualquer amor que surgisse você bateria no peito e chamaria de seu. O seu medo era amar de menos. O medo dela era sofrer demais.
