Eu não sei o que fazer

Ou: por que eu estou cansada de tudo.

Tenho 22 anos e me sinto mais cansada do que minha vó de 87. Um cansaço profundo e entranhado em mim já há tanto tempo, que não pode ser normal. Mas ele tá aqui, presente. Corroendo cada pedaço.

O que me entristece é que há um tempo atrás tava tudo bem, sabe? Esse sentimento tinha virado nuvem colorida dentro de mim. Mas quando a esmola é demais o santo desconfia e meu santo, vou te falar: ele tem um faro forte pra essas situações. E não tardou mesmo — a nuvem colorida virou tempestade, queridx, e das grandes, das boas, das destruidoras.

Começa assim: um trovãozinho. Vai, menina, leva um sustinho! Levou? Então tá bom, toma essa relâmpago. Não foi o suficiente? Peraí que o raio tá vindo logo em seguida. Agora toma chuva. Não, calma, tá muito fraca. Ah, agora sim, um dilúvio. Fica aí debaixo, menina bonita. Mas tenha paciência, que cê só vai sair quando eu mandar. SÓ-VAI-SAIR-QUANDO-EU-MANDAR.

É possível ter tanta merda junta que ela vai sendo despejada aos poucos? Longe de mim ser a tia reclamona do rolê, mas cês tem que entender que algumas coisas tem um limite: e a minha vida já tá ultrapassando todos. Eu já me sinto perdida o suficiente sem merda nenhuma, pra que acrescentar?

A gente vai ficando saturada, né? Dizem que sem isso a vida não tem graça, mas quer saber? Eu não me importaria de viver uma eterna calmaria não. Nem um pouco. Ia ser bem melhor do que tá agora: me sinto quebrada, perdida, sem eira nem beira. Tenho 22 anos, um coração enorme, um bolso quase vazio, um ou dois sonhos na mochila, muitas frustrações e o dobro de vontades — mas a merda tá tanta mermão, que me sinto mais cansada do que minha vó de 87.

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