O mercado de trabalho para Gerentes de Projetos no Brasil Pós-Olimpíada

Você já esteve em alguma roda de bate papo com amigos ou familiares e alguém falou assim: O Brasil sempre será o país do futuro? Pois bem, isso já aconteceu comigo várias vezes.

Recentemente recebi uma pergunta de um colega de profissão americano querendo saber qual seria o legado das olímpiadas para nós, profissionais de gerenciamento de projetos, no sentido de geração de emprego e lições aprendidas.

Será que ainda vale a pena investir em cursos, certificações e tudo mais em gestão de projetos?

Vou dividir o raciocínio em quatro partes.


1. Situação Econômica do Brasil

Eu tenho uma teoria pessoal empírica sobre a história do Brasil de um modo geral e como isso nos afeta economicamente.

Desde a República Velha, passando por JK, ditadura militar, Constituição de 1988, Plano Real, Era Lula, etc., o Brasil se comporta de um modo geral de forma senoidal.

Explico.

O Brasil sempre tem uma época de grande e agudo crescimento econômico-social, mas depois sempre acontece alguma coisa e ele começa a cair. Depois outra coisa acontece e ele volta a crescer, depois a cair e assim sucessivamente.

Lembremos rapidamente: (1) a Era Vargas e o desenvolvimento do Estado Brasileiro provocado pelo isolamento causado pela Grande Depressão Americana; (2) Juscelino Kubischek e os 50 anos em 5; (3) o período inicial da era militar que, inegavelmente, alavancou o país; (4) o Plano Real e a estabilização da inflação somado a Era Lula — aliado a um período histórico de crescimento global.

Todos estes períodos de nossa história sucedeu um período de grande dificuldade econômica.

Ricardo Amorim, que é economista brasileiro e uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil, explica em seu livro ‘Depois da Tempestade’ que a performance econômica de um país segue um ciclo de 3 a 8 anos de boas notícias, seguido por ciclos de desapontamentos de igual duração.

Agora não é diferente.

Depois de anos amargurando problemas atrás de problemas na nossa economia, ao que tudo indica, podemos olhar adiante com esperança — palavra comum na nossa cultura cotidiana.

Um grande amigo economista, chamado André Renovato, publicou recentemente um artigo sobre esse horizonte econômico. Vou tentar resumir rapidamente aqui.

Apesar de estarmos vivenciando na política econômica o que os economistas chamam de tempestade perfeita, a substituição do Presidente do Banco Central e consequente mudança nas atas do COPOM podem ser um bom sinal para um futuro promissor.

Durante a gestão do ex-Presidente do BC, Alexandre Tombini, as atas do COPOM mais pareciam charadas, segundo Renovato. Para que o mercado pudesse interpretá-las era necessário usar o método de tentativa e erro com as ações do BC à época e suas atas anteriores. Já pensou o trabalho? No mercado financeiro, falta de clareza gera desconfiança, e confiança é uma moeda muito valiosa.

Desde a mudança presidencial do BC para o Ilan Goldfajn já é possível notar diferenças nas atas do COPOM. Parece que ele tem acertadamente tentado limpar o canal de comunicação com o mercado, o que tem tranquilizado muita gente. Isso tem muita importância porque as medidas adotadas na política monetária (função exclusiva do Banco Central) devem ser importantes ferramentas utilizadas para controle da inflação.

Boa sinalização na política monetária.

2. As Mudanças no Palácio do Planalto

Em outro ponto do mesmo tabuleiro está o Palácio do Planalto, que me parece que também teremos um horizonte melhor que estávamos vivenciando ultimamente. Independentemente de posição político-partidária — até porque não acredito em nenhuma boa intenção de nenhum partido no Brasil — eu tenho mais uma teoria empírica: ninguém ou nenhuma entidade deve permanecer em qualquer tipo de poder por muito tempo, com sério risco de confundir o poder com algo de sua propriedade. Isso vale para desde o Diretor de uma escola, universidade, até a presidência da República.

O Presidente em exercício, Michel Temer, fez algo que nenhum outro político — nem Aécio, Marina Silva, Dilma, Lula, etc. — tinha abertura para fazer, sob pena de suicídio político na atualidade: montagem de uma base ministerial altamente ligada ao parlamento. Com isso ele tem a chance de fazer algo que possa ajudar a estabilizar a hemorragia econômica que está acontecendo.

E parece que está conseguindo.

Desde a nomeação do Henrique Meirelles para o cargo de Ministro da Fazenda, o mercado parece estar reagindo à estabilização política aparente: dólar voltou a um patamar razoável; o congresso aprovou a alteração da meta fiscal; aprovou, também, a Lei das Estatais, etc.

Tem havido uma sinalização de diálogo constante entre Palácio do Planalto e Congresso Nacional. Guardada as devidas proporções e diante do caos que estávamos antes, isso é uma boa notícia.

Esses dois pontos — endireitamento da política monetária e as aparentes pazes entre Congresso e Executivo — podem ser interpretados como um ponto de inflexão naquela equação senoidal histórica do Brasil.

Parece que estamos iniciando mais uma curva ascendente.

Esperança econômica.

3. Sinalização Política do Aumento da Privatização

As Parcerias Público-Privadas são o caminho para a retomada do crescimento do país. Isso é um fato.

Está repetidamente comprovado mundialmente que o papel do Estado deve ser de regulador e promotor das políticas, não único responsável pela sua execução.

Há uma necessidade de compartilhar com o setor privado as responsabilidades pelo desenvolvimento da infraestrutura e de serviços no país.

Claro, onde não há atratividade para iniciativa privada, há necessidade de intervenção do Estado para tal.

E, após 14 anos sendo uma heresia falar a palavra ‘privatização’ no Brasil, parece que agora esse senso comum está chegando às classes políticas.

Mais um bom sinal.

4. Lições Aprendidas dos Jogos Olímpicos

Vou tomar a liberdade de trazer a Copa do Mundo de 2014 para este parágrafo. Desde lá parece que a sociedade tem se tornado cada vez mais impaciente e menos tolerante a qualquer que seja o ato transverso que nossos políticos tomem. Somado a isso o advento da Era da Informação, um abraço! Todo político — parlamentar, executivo, comissionado, qualquer um — está pensando duas vezes antes de descaradamente pisar intencionalmente na bola.

Há uma enxurrada de notícias que os jogos olímpicos custaram mais do que previsto, que o projeto da linha 4 do metrô custaria 21 vezes mais que o projeto original — devemos lembrar que são projetos diferentes, natural que o custo fosse diferente, entre outras várias notícias.

Mas isso tudo mostra um comportamento muito mais participativo da sociedade perante o governo. Há uma cobrança muito maior do que havia antes. E isso provavelmente deve começar a se refletir em resultados nas urnas e também na aprovação de projetos muito mais necessários do que apenas a pavimentação de uma rua que passa na frente da casa do prefeito de uma cidade aleatória no Brasil.

A tendência de pensar e executar melhores projetos daqui em diante é inevitável.

A necessidade de transparência e a cobrança social aumentou consideravelmente de 2014 para cá. E isso é um dos maiores legados e lições aprendidas que esses dois eventos deixaram para população brasileira.

População atenta é um sinal próspero.

Devemos observar atentamente o desenrolar destes quatro componentes.

Os movimentos políticos de curto prazo, aliados à caminhada lado-a-lado com a iniciativa privada e a continuidade da participação do povo tirando nossos políticos da zona de conforto certamente levarão o país a crescer pelos próximos anos.

O papel do profissional Gerente de Projetos será cada vez mais crucial para as empresas daqui pra frente. Não há espaço para perder dinheiro por baixa maturidade na gestão dos projetos.

Certamente, após esse período turbulento e com um horizonte pouco mais promissor adiante, as empresas necessitarão de melhores Gerentes de Projeto.

O momento agora é de certificação e capacitação. O profissional de gerenciamento de projetos é e será cada vez mais importante num cenário onde a iniciativa privada terá um papel protagonista no desenvolvimento do país.

Agora a bola está contigo!

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