
O real
“Aparentemente ,é deselegante para mim
Mencionar minha menstruação em público, porque meu corpo é real demais.
Está tudo bem vender o que está entre as pernas de uma mulher mais do que está tudo bem mencionar seus funcionamentos internos
O uso recreativo deste corpo é visto como bonito, enquanto sua natureza é vista como feia.”
Me deparei com esse poema tão real escrito pela rupi kaur (aquela mesma moça que escreveu milk and honey/outros jeitos de usar a boca) e não tive outra reação se não ao acabar de ler, concordar com a cabeça, colocar o celular de lado e pensar em como sim, é verdade. Em como o tempo todo,alguém está tentando matar sua forma natural.
Em como, durante a vida inteira de uma mulher, tentam domá-la a uma forma robótica e não pensante. Não é nenhuma novidade, mas talvez já esquecemos o que é, de fato, sermos humanos. Como é de fato, ser uma mulher.
Os termos de biologia não importam, a questão é sobre um amontoado de costumes que lidamos normalmente, mas na verdade, nem fazem sentido. É não perguntar mais para as pessoas, e sim fazer uma pesquisa em qualquer site. É permanecer calado, por medo de julgamento. É não ouvir, porque um preconceito te ensurdece. Aos poucos, nos tornamos outro produto artificial.
Deixando de lado todas as roupas de que gostei e de que me fizeram gostar, de todos os costumes que disseram ser os do meu gênero, de todo o poder e dinheiro que me fizeram almejar, quem sou? Quem somos? Que tipo de produto te fizeram, que tipo de dinheiro você vai fazer? Mulher, que tipo de homem você servirá? Mulher, que rótulo vão te colocar?
Para onde foram nossas forças, nossos corpos, nossas imagens antes de terem sido tornadas mercadoria?
Comecei a escrever este texto para esclarecer o valor da natureza real, e acabo com questionamento real sobre o que a humanidade é. O que são as mulheres, o que são as coisas e quem sou.
Certa de que o sistema é neblina e a alma pura é o Sol, quem somos é a soma de restos intocáveis, os cacos de vidro e esgoto que nenhuma empresa quer mostrar. Somos a indecência, o erro e o absurdo, a pura pureza que é louca demais para o mundo.
