A cronologia de Love, Death & Robots

Assisti, numa taca só. Love, Death & Robots é uma série original da Netflix composta por episódios antológicos, com uma mão pesada de ficção científica. Criada por Tim Miller, diretor de Deadpool, e produzida por David Fincher, diretor de Mindhunter, Gone Girl, e Fight Club, meu top 3.

Assim como em (isso é muito) Black Mirror, onde a teoria do universo compartilhado foi confirmada, durante a maratona de LD&R fui pensando em como encaixar os episódios numa ordem cronológica de acontecimentos.

Podemos perceber que, geograficamente, muitas histórias devem se passar no planeta Terra, sem realidades paralelas. E se não na Terra, no espaço sideral, ou em outro planeta.

Nesse exercício não vou forçar muito a barra, mas ao terminar de escrever esse texto percebi que fiz conexões de uma forma bem natural, o que me faz acreditar que talvez exista sim um alinhamento no roteiro de episódios da série. Por mais que eu seja imaginativo nessas conexões, a sensação é que existem rimas no roteiro que sugerem uma conexão, e ao longo do texto você pode percebê-las também.

Além dessas conexões, imagino que você possa perceber outras que eu não percebi, e também possa preencher partes da história com a própria imaginação, que é a verdadeira beleza da coisa. Let’s go? Contém spoilers!

1º Good Hunting (episódio 8)

O poder da engenharia restaura.

Nesse episódio é apresentado um homem chinês. Em sua vida adulta ele trabalha como mecânico e engenheiro. Vemos o planeta Terra passar por uma revolução industrial (1760-1840), com diversas engenhocas que serviriam de base para o crescimento tecnológico. Nesse episódio a série também apresenta um lado místico, com uma criatura mágica, lendária.

2º Sucker of Souls (episódio 5)

Ó o bicho vindo muleque!

Goose, is that you?

Nesse episódio é apresentado um grupo de exploradores que encontra a tumba de Drácula. Drácula é um romance de ficção gótica lançado em 1897, escrito pelo autor irlandês Bram Stoker, tendo como protagonista o vampiro Conde Drácula. Segundo episódio que acena para o lado místico.

3º The Secret War (episódio 18)

Que arte digital linda!

Nesse episódio é apresentado um grupo militar russo. O líder do grupo menciona Stalingrado. A Batalha de Stalingrado foi um grande combate travado entre o exército alemão e seus aliados contra as tropas da União Soviética pela posse da cidade de Stalingrado (atual Volgogrado), às margens do rio Volga, entre 17 de julho de 1942 e 2 de fevereiro de 1943, durante a Segunda Guerra Mundial. Enemy at the Gates, de 2001 é um bom recorte dessa batalha.

Terceiro episódio que acena para o lado místico, pois os soldados combatem criaturas vindas (do inferno?) de um ritual.

4º Fish Night (episódio 12)

Lembrou o mundo espiritual da animação Avatar… Saudades.

Nesse episódio é apresentado dois homens comuns, que viajam num carro de época que não reconheci o modelo, mas certeza que foi fabricado no século XX. Eles vivenciam algo energético, espiritual… Quarto episódio que acena para o lado místico.

5º Shape-Shifters (episódio 10)

Lobisomem ou animago?

Nesse episódio é apresentado um exército americano atuando na região do oriente médio, eles até citam o Talibã. O Talibã é um movimento fundamentalista islâmico nacionalista que se difundiu no Paquistão e, sobretudo, no Afeganistão, a partir de 1994 e que, efetivamente, governou cerca de três quartos do Afeganistão entre 1996 e 2001, apesar de seu governo ter sido reconhecido por apenas três países: Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Paquistão.

Quinto episódio que acena para o lado místico, pois lobisomem, né?

6º Ice-Age (episódio 16)

Será que tem uma geladeira dessas nas Casas Bahia? Quero.

Nesse episódio é apresentado um casal jovem, de roupas casuais, que se mudou para um casa contemporânea, com eletrodomésticos e tals… Ou seja, tem cara de século XXI. Tá, e como explicar a geladeira?

Eu entendo a geladeira como um artefato místico capaz de armazenar a história de um planeta (LOL) , nesse caso, a história do nosso planeta. Imagina um episódio sobre a fabricação dela, lá em 1856? Quero.

Penso que a geladeira mostra diariamente, o início, o meio, e o fim da Terra. Como só vimos uma vez, talvez ela mostre a mesma história repetidas vezes, ou histórias diferentes, o que faria uma rima com o episódio de “Alternate Histories”, o episódio matando o Hittler. Se considerarmos essa teoria, esse é o sexto episódio que acena para o lado místico.

7º Alternate Histories (episódio 17)

Falando no diabo… Alô Mijair.

Eu achei muito divertido esse episódio. Pareceu um vídeo no Youtube… A plataforma foi criada em 2005, então vou encaixar esse episódio no século XXI também.

Até então não percebi nada místico nesse episódio, porém, apresentaram a ideia de universos alternativos. Será que além de universos alternativos, podemos ter universos paralelos? Pra que facilitar se podemos complicar? :)

8º Helping Hand (episódio 11)

Tensooo. Fiquei surpreso com a solução dela.

Nesse episódio é apresentado uma mulher dando manutenção num satélite. Fato bem simples, século XXI, que dá pra situar bem na cronologia. Nada místico nesse episódio. Next.

9º When The Yogurt Took Over (episódio 6)

Genial. Reparou no formato das naves? LOL

Nesse episódio é apresentado uma história de origem de uma criatura inteligente. Esse episódio me parece um marco de quando a vida na Terra começa a degradar.

O Iogurte deixou a vida terrestre, e como ele foi fundamental para a regulação intestinal — “fazer cocô bonito”, diria vovó Juju — dos terráqueos, sua ausência significa que a utopia acabou, e tudo vai voltar a ser aquele tipo de merda. Nada místico nesse episódio, pois o Iogurte não é magia, é tecnologia.

10º The Dump (episódio 9)

O episódio mais fraco. Wall-e fez melhor.

Os primeiros efeitos da ausência do Iogurte. Pessoas voltam para suas atividades merdas. Nesse episódio é apresentado um lixão enorme, e assim como o Iogurte, outra criatura inteligente.

O lixão em si representa o aumento da produção lixo, e no governo do Iogurte isso não acontecia. Sobre o monstro do lixão, é possível que a ciência que deu inteligência ao Iogurte (transgênicos, talvez?) tenha provocado mutações ao redor do planeta, isso justificaria o “monstro do lixão”. Logo, nada místico nesse episódio.

11º The Witness (episódio 3)

Que visual, eim? O diretor desse episódio é Alberto Mielgo, e se você já assistiu Spider-Man: Into the Spider-Verse, pôde perceber alguma familiaridade. Alberto atuou como consultor visual.

Nesse episódio é apresentado uma cidade com prédios altos, que parecem ser residenciais, ou seja, superpopulação. Também vemos placas escritas em diversos idiomas, vemos hologramas, e uma identidade visual bem globalizada e futurística.

O plot desse episódio é bem diferente do restante da temporada. Entendemos que pode existir um loop que envolve a troca de papéis entre os dois personagens principais. Hora um persegue, hora um morre. Isso tem cara de bug na Matrix, então faço um paralelo de simulação com o episódio “Beyond the Aquila Rift”.

Nada místico aqui, e vou deixar isso de lado até o final do texto. Lembra que em “Good Hunting” a criatura disse que não conseguia mais voltar para sua forma original? Porque a magia estava acabando? Então, quanto mais tecnologia a série apresenta, menos misticismo percebo nos episódios. Mas segura aí que em “Suits” vamos falar sobre misticismo de novo.

12º Zima Blue (episódio 14)

Episódio poético, gostei bastante.

Nesse episódio é apresentado mais uma criatura inteligente, e humilde. Além disso temos uma sociedade futurística, com muita tecnologia. Para o nosso exercício, esse episódio mostra a vida na Terra com grandes evoluções, e o visual lembra o apresentado no episódio “Ice Age”, da geladeira. Next.

13º Blindspot (episódio 15)

Daft Punk feat. Pentatonix

Muita ação, alguns ciborgues, quem tem cópias de seus cérebros (alô Sonnie), e criaturas aparentemente alienígenas que lembram uma mistura de coelho com rato. Com o avanço da tecnologia que é apresentada em “Zima Blue”, onde a jornalista conta sobre as tecnologias que transformam homens em máquinas, temos uma sociedade com ciborgues, pessoas que são parte orgânicas e cibernéticas. Além disso, criaturas estranhas, talvez resultadas dos mesmos transgênicos que criaram o “monstro do lixão”.

O grupo de ciborgues rouba um microship… Pra quê? Muito vago para fazer uma conexão com outros plots na temporada.

14º Sonnie’s Edge (episódio 1)

Belo episódio piloto.

Nesse episódio temos conexão neural com uma criatura orgânica e uma forma de entretenimento à la Coliseu romano, com gladiadores se enfrentando e apostas sendo feitas. Ou seja, aquela velha característica humana que existe desde os tempos mais primórdios.

É um episódio que apresenta muita humanidade. Temos uma protagonista que foi abusada, e aquele frame impactante onde o oponente dela a enquadra na parede, e envia o osso no seu estômago, numa rima muito forte com o estupro que Sonnie sofreu no passado. Ela revidando a essa imobilização é sensacional.

Percebe que a vida na Terra não está muito legal, né? Talvez no espaço sideral a vida esteja melhor, vamos conferir?

15º Beyond the Aquila Rift (episódio) 7

Uncanny valley, who’s that bitch?

Nesse episódio é apresentado uma nave espacial com três tripulantes. Até aqui temos uma noção de como está a Terra, e com esse episódio entendemos que fora dela tem uma galera viajando em buraco de minhoca. A tripulação da nave não chega em seu destino, e descobrimos que a nave está presa num emaranhado de teias enorme (para facilitar o contexto) do que dá a entender ser de uma ou mais criaturas da mesma espécie. Essa criatura é capaz de fazer com que o individuo experiencie uma simulação.

No nosso exercício, esse episódio vem mais para deixar claro que existem histórias humanas fora da Terra também. Ou seja, existem outros palcos além da Terra, e eu acho que “Luck 13” reforça isso.

A estátua de Virgem Maria com Jesus me chamou atenção… Sinal de que pode existir cristianismo, mesmo que Maria esteja vestida com o que parece ser trajes espaciais. Sacou o cinto de utilidades?

16º Lucky 13 (episódio 13)

É uma questão de tempo para o uncanny valley deixar de existir.

Além desse episódio, outros episódios fizeram um trabalho de computação gráfica espetacular! A recriação da atriz Samira Wiley, de Orange is the New Black, e The Handmaids Tale, está quase perfeita! Impressionante!

Nesse episódio é apresentado uma piloto novata, que realiza missões de guerra em locais que podem ser, ou não, no planeta Terra. Pode ser a Terra, se pensarmos que os humanos estão lutando contra seres fora das cúpulas que vimos em “Suits” (episódio 4 da temporada), que devem ser alienígenas, ou, aquelas criaturas apresentadas em “The Secret War” (season finale).

Porém, o planeta que vemos em “Suits” parece mais com Saturno do que com a Terra… Então os terráqueos podem ter abandonado a Terra e colonizado Saturno? That’s a stretch. Vamos dizer que sim e seguir o exercício.

No caso de não ser a Terra, podemos pensar que esse episódio está no mesmo raciocínio de exploração espacial, mas aí nos perguntamos, quem é o inimigo que os terráqueos combatem?

17º Suits (episódio 4)

Nesse episódio é apresentado uma comunidade de fazendeiros, bem no esteriótipo sulista dos EUA. Eles habitam um planeta parecido com Saturno, por causa do anéis. No final do episódio temos uma visão geral de algumas cúpulas no planeta que parecem ser outras fazendas.

Esse planeta está quase dominado por criaturas alienígenas, ou, como você já pode estar esperando, por aquelas criaturas do ritual apresentado em “The Secret War”.

Seria possível então entendermos os aspectos místicos como alienígenas? Ou seja, que não é natural da Terra? O universo é muito grande para justificarmos nosso conhecimento terrestre apenas através da religião…

18º Three Robots (episódio 2)

Meu episódio favorito!

Três robôs fazendo turismo no planeta Terra pós apocalipse.

Vejo esse episódio como o último da cronologia porque os robôs falam sobre os humanos como se eles não existissem mais. Será que vimos os eventos que aconteceram para não existir mais humanos na Terra? Ou, os seres humanos podem ter evoluído a tal ponto que se descaracterizaram de tudo que vemos como “comum” naqueles ambientes abandonados? Ou, esse é o meio da história, e os humanos vão surgir novamente?

Esse episódio levanta muitas perguntas sobre os eventos que deixaram a Terra no estado que os robôs a encontram, parecendo uma casa abandonada. Podemos observar o estado de putrefação e posição dos corpos para imaginar quando eles morreram, e como morreram. Podemos observar também o estado de conservação das construções, dos objetos, e das comidas. Porém… A robô em formato piramidal diz que a humanidade caiu por causa de sua arrogância.

“…their belief that they were the pinnacle of creation, that caused them to poison the water, kill the land and choke the sky. In the end, no nucler winter was needed, just the long heedless autumn of their own self-regard.”

Em resumo, a gente mesmo se fodeu por sermos burros pra caralho. Desastre ambiental. Alô mineradora Vale.

Conclusão

É uma série fantástica! Divertida, atraente, provocante… Linda!

Fique a vontade para contribuir com a sua imaginação. ;)

P.S.: Quero rever alguns episódios, e caso eu tenha novos insights, atualizo o post.

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