Você merece ser triste.

Estava pensando esses dias a respeito do filme Divertida Mente e em como a cultura nos treina para sermos máquinas de felicidade.
Pessoas bem sucedidas são pessoas felizes e eficazes. Não há espaço para colocarmos nossa tristeza. Quem nunca se viu na situação de sentir-se assim e ver o olhar julgador do outro nesse momento? É proibido chorar? Sentir-se mal? Por que? Por que as pessoas não sabem lidar com esse sentimento tão fundamental e estruturante? Chorar hoje às vezes até parece um crime. É sinônimo de fraqueza e fragilidade. As pessoas ficam constrangidas quando você chora perto delas? Você se sente constrangido quando pensa em chorar? Quando pensa em dizer que não está bem?
Vocês estão muito enganados, sentir-se triste é um direito. Quantas vezes já pensei em não deixar ela me invadir para não me sentir mal? Sendo que eu precisava justamente me sentir mal. Não é muito obvio que se isolarmos algum de nossos sentimentos ele vai retornar de alguma forma?
Vivemos uma vida sendo protegidos e nos desacostumamos a enfrentar pequenas dores naturais da vida como se quando crianças não fossemos capazes de lidar com essas situações. Não que nossos pais façam isso por mal. Pelo contrário.
É sempre importante lembrar que o lugar onde você coloca seu filho é o lugar que ele vai se estruturar. Tudo que nos é dirigido quando pequenos, ou mesmo adultos faz um efeito. É exatamente o ditado “uma mentira dita mil vezes se torna uma verdade”.
Os ideais ideais de um sujeito, para mim, seria o de aceitar que a vida tem sua faceta dolorosa e que a busca da felicidade é uma mentira. Isso é não aceitar parte de sua existência.
Semana passada uma amiga me disse “apenas espere o momento triste passar”. E depois de ver Divertida Mente reforço ainda mais a importância dos momentos tristes. Além de esperar o momento triste passar para viver o bom vamos nos organizar no momento ruim. Além da tristeza, a raiva, o nojo, o medo e a felicidade devem ser vividas em homeostase. Separados, nossos sentimentos tornam-se incompreensíveis, juntos eles passam a fazer sentido. Nós merecemos ser felizes e tristes.

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