Vê-me com ternura e ânsia, vejo-te sacro, apenas meu, imponderável amor. Possessor de minha psique, num contrato incorruptível, demonizo-te: castiga-me arrancando o sono, permaneço noites em claro, tua falta consome meu corpo em febre infernal, o cansaço me carrega aos sonhos onde teus dedos acalentam minha pele, como fosse porcelana delicada e bonita aos teus olhos. Torno-me criatura de aspecto frágil, envolta em ti, pertenço-te de todas as formas concebíveis. Cada fração de segundo que faz de mim tua deusa, todas as crenças despencam por terra. Somos apenas nós e o universo, entidades pertencentes um ao outro. Teu corpo, teu gosto, tua voz: deliro. Morro por instantes em tua posse, adormeço cansada. Fui tua, sou tua. Não quero e não pertenço ao que não está contaminado de você, tusso o ar límpido para fora de meus pulmões. Debato-me ao ser arrancada de teus braços, meu berço de vida e morte. Parto. Ao nada, ao meio, sangro. Você vem sido minha bíblia, minha religião. Recitada quente sobre meu corpo, arde em brasa em meu peito, queima-me as pontas dos dedos. Pecado irreversível.

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