É possível concluir, depois de uma análise das variadas vertentes libertárias e dos muitos meios em que as discussões acontecem, que as duas áreas mais pobres e, portanto, mais necessitadas de aperfeiçoamento dentro do Libertarianismo brasileiro são hermenêutica e estratégia.

O problema hermenêutico tem como característica a baixa capacidade de absorção e compreensão do conteúdo estudado, tanto da teoria quanto dos termos e expressões. Isso, é claro, julgando que estamos levando em conta pessoas que realmente se propõem a ler um livro e não aqueles que "estudam" através de vídeos e artigos. Esse fato é claramente percebido quando entramos em Grupos Libertários de Facebook ou acompanhamos "discussões" em que há a participação dessas pessoas. Lembro de ter lido dias desse sobre os Libertários que eles perdem muito tempo com perguntas bestas e discussões sem sentido. Concordo. E isso acontece exatamente pelos motivos que escrevi acima. Os efeito negativos gerados pelo problema hermenêutico são muitos, porém o mais importante - e também mais grave - acontece quando esse tipo de pessoa resolve defender o Libertarianismo: como ela tem uma ideia limitada do assunto, não possuindo a capacidade de explicar detalhadamente (ou de forma mais generalizada) sequer os mais básicos princípios (direitos naturais, não-agressão) e termos (propriedade, crime, liberdade) - o resultado sempre será única e exclusivamente um monte de confusão. Quando ele for tentar convencer alguém de qualquer coisa ele provavelmente falhará; quando for apoiar qualquer "causa libertária" ele com toda certeza não saberá diferir entre as verdadeiras e as falsas ou as eficientes e não-eficientes.

O segundo ponto refere-se à estratégia e o considero o mais importante. A característica fundamental deste é a ineficiência em alcançar resultados positivos. Aqui eu entro numa zona complexa e eu espero fazer uma análise e exposição mais precisas possíveis. Em contraste com o ponto anterior, agora o foco do problema está no libertário que compreendeu o que leu: ele estuda há anos, conhece Rothbard, a Escola Austríaca e o atuais autores do Mises Institute, está com todos os conceitos na ponta da língua e pode demonstrar tanto etica quanto economicamente por que a existência do estado é um erro. É difícil imaginar como uma pessoa dessas cria grandes problemas. Porém eu consegui identificar alguns. Começo pelo fato de alguns Libertarios terem medo de assumir abertamente o que defendem. Me refiro ao fato de muitas vezes essa pessoa dar preferência para uma abordagem mais branda, mais "liberal" ou econômica, para não assustar as pessoas. Já fui um desses, porém percebi que o tempo e esforço gastos numa abordagem mais lenta e mansa são altos para se obter uma taxa de resultado positivo muito baixa. Outro tipo de Libertário contraproducente é aquele que se envolve com política. O primeiro problema com essa estratégia diz respeito à sua eficácia e o segundo ao custo de oportunidade. Ler Hoppe e falar da impossibilidade de um estado diminuir e se manter pequeno. Quanto ao custo de oportunidade, levando em conta que a via política nao é eficiente, seria muito mais vantajoso se todo esse tempo e reforço fossem direcionados à estratégias eficientes.

Para que o movimento libertário cresça - mais em qualidade do que em quantidade - é necessário, em primeiro lugar, bons intelectuais: pessoas dedicadas ao estudo e à compreensão do sistema. Em segundo lugar, precisamos que as pessoas que agem, que criam Institutos, Grupos e Projetos sejam eficientes: que tenham em mente que a política não é uma via positiva em qualquer sentido e que todo o esforço gasto nisso poderia estar sendo usado para espalhar ideias ou iniciar ações agoristas, i. e., contra economia, mercados negros, desenvolvimento de tecnologias e, principalmente, secessão.

Obs.: texto não concluído ainda.