Dilma, acabou.

Independente do resultado do impeachment, ela dificilmente terminará 2018 no comando do país.

Não há mais tempo para discussões. O Brasil se encontra mergulhado numa forte crise econômica, moral e política. O “Nunca antes na história deste país” virou um chavão de imoralidade e repúdio para boa parte da população, descontente com o andamento das coisas.

Na primeira imagem a edição de 2013, a The Economist pergunta: “O Brasil estragou tudo?”

A velocidade de queda do Brasil é impressionante. De 2009 para cá, passamos do “Brasil que decola” para o “Brasil que estragou tudo”. Desperdiçamos todas as chances de melhorarmos a condição fiscal, econômica e social do Brasil, escolhendo o contrário, medidas populistas e ignorando as reformas que país tanto necessita.

E o que deu errado?

1 . PARTIDO DOS TRABALHADORES

O que para muitos já foi a esperança de um Brasil melhor, o PT hoje se reduziu a um partido atolado em corrupções e denúncias. Talvez a sede de se manter no poder a qualquer custo acabará sendo a chave para a sua queda e o seu posterior desgaste.

O mensalão, que para muitos seria o pior caso de corrupção da história, se mostrou apequenado em relação ao Petrolão. Sustentar esses dois mega casos de corrupção está se mostrando realmente insustentável, principalmente com a fragilidade que o governo enfrenta em sua base aliada, acompanhado dos dados vergonhosos do PIB, que cairá pelo segundo ano consecutivo. Se antes PT e companhia nadavam na maré das commodities e da política econômica, hoje o partido não dispõe de tal situação para enfrentar a crise moral que tanto os assola desde sempre.

A crise chegou a tal ponto, que parte considerável dos deputados petistas já cogitam uma desfiliação coletiva (são cerca de 26 dos 57 deputados, segundo a Folha de São Paulo), isso mostra o desgaste interno pelo qual o partido dos trabalhadores passa.

2. DILMA ROUSSEFF

Antes, promessa de boa gestora, Dilma arca hoje com suas más escolhas durante todo o seu mandato. Seu principal pedido de afastamento a acusa justamente das famosas “pedaladas fiscais” que no seu governo chegaram a níveis totalmente alarmantes.

Já com a economia em freio, a “gerente” Dilma usou o artifício das pedaladas, que em 2014 dispararam. Chegaram a bilhões de reais, atrasando de propósito o transferência de dinheiro do tesouro para os bancos públicos com a única intenção de melhorar as contas públicas.

Em ano eleitoral, Dilma soube usar deste artifício para abarrotar políticas públicas de cunho populista, como maior exemplo o FIES que saltou, chegando a dobrar de orçamento, visando somente ganhar a eleição . Embora o governo fale em “golpe”, o fato é que em 2014 houve uma verdadeira zorra com o dinheiro do contribuinte, lesando os bancos públicos e contribuindo para a derrocada da economia.

“Entre 2001 e 2008, o impacto das pedaladas na dívida pública oscilou, sem tendência definida, entre 0,03% e 0,11% do PIB (Produto Interno Bruto, medida da riqueza nacional); a partir de 2009, o crescimento é contínuo, até chegar ao pico de 1% do PIB.” (Folha de São Paulo)

Misture isso ao aumento da dívida pública, contabilidade criativa e a desastrosa política de cortes de energia de preço (só para citar algumas medidas desastrosas), acabaram sepultando de vez o sucesso de um governo que talvez já tenha começado errado.

3. A POLÍTICA DO “NÓS CONTRA ELES”

Pode até ter colado no início a guerra contra a tal “elite branca”, a divisão dos pobres e ricos e a luta contra os “malditos tucanos”. Porém esses 13 anos de PT, nos mostraram que nem tudo é culpa do FHC.

A tática que antes fazia todo o sentido para a militância e até para grande eleitorado do partido, hoje se limita aos discursos infundados e sem qualquer contexto com a realidade.

“A elite não suporta ver pobre andando de avião”

Com esse discurso de divisão, o PT com o tempo foi polarizando a discussão e consequentemente criando o que se viu em 2014. Há dois anos atrás, o partido dos trabalhadores começava a deixar de ser apoiado pela maioria da população. Embora legítimo, e Dilma Rousseff a mais votada, na contagem geral a maioria da população disse não para esse projeto megalomaníaco de poder.

4. O PT PERDEU AS RUAS

2013 foi o ano que talvez marque a reviravolta para o PT. Dilma despencou em aprovação, e se viu sem reação, talvez como muitos brasileiros, sem entender direito o que estava de fato acontecendo.

Naquele junho de 2013, grupos de esquerda organizaram uma série de protestos contra o aumento das passagens de ônibus que rapidamente tomaram proporções gigantescas e com pedidos dos mais variados. E o que unia grande parte dos milhões que estiveram presentes pelo Brasil foi o repúdio aos partidos. Nem mesmo os que sempre estiveram presentes em movimentos semelhantes tiveram vez, inclusive o PT.

Ali começava o estopim da insatisfação da classe média e de grandes setores da sociedade. A política petista estava falhando e nada de concreto foi feito para mudar essa situação. O PT começava a perder o monopólio das ruas, que antes faziam parte da sua promoção. De acusadores eles passaram a ser alvos dos protestos.

A partir dali, grupos começaram a pipocar na internet, principalmente contra Dilma Rousseff. A direita começa a despertar depois de um sono decadente e começava a mostrar as caras, liderados por vozes da nova geração. Os protestos de março de 2015 e 2016 foram uma verdadeira mostra da total insatisfação da população brasileira. Mais uma vez o PT perdia as ruas e desta vez, talvez para sempre.

5. LAVA JATO

Para muitos o maior divisor de águas nos últimos anos, a operação “Lava Jato” deflagrada a partir de 2014, desmembrou o maior esquema de corrupção da história do país, captando grande parte dos partidos políticos da base do governo, como o PP e o PMDB.

A cada dia somos brindados com uma nova operação deflagrada, novos personagens e até “mortos” que são ressuscitados, como Delúbio Soares e José Dirceu, que insiste em aparecer em todos os casos de corrupção da era PT.

Nunca antes na história deste país tantos políticos e grandes empresas se viram tão pressionados. Em dois anos de operação, a Lava Jato prendeu cerca de 70 pessoas e já recuperou mais de R$2,9 bilhões para os cofres públicos. Tanto sucesso capitaneou o juiz encarregado da operação a um status de sucesso e admiração por parte da população brasileira e derrocou de vez a guinada petista ao poder.

E o que esperar?

Hoje, o impeachment se mostra cada vez mais um cenário provável, e negá-lo seria tapar os olhos para o que está acontecendo. Muitos colocam a esperança no quase certo governo Temer e a sua “Ponte para o Futuro”, principalmente na situação insustentável na qual o governo Dilma ainda se mantém.

Existe sim, muitos outros erros que não foram listados neste post e que se acumulam as más escolhas e direções pela qual o governo se meteu tentando ser populista e esquecendo das reformas que eram necessárias. Jogamos fora uma década de ouro do crescimento brasileiro e nos enfiamos em uma crise interna que paralisa todo o sistema, demite pessoas e criar uma inflação escandalosa.

Neste cenário, seja qual for o resultado, o PT sairá como um partido que nos colocou na pior crise da história e do líder sindical que saiu do poder com o maior índice de aprovação de um presidente brasileiro, mas que estará em breve condenado ao esquecimento, ou à prisão.