Um pouco de como tudo isso começou

Minhas construção através de livros e músicas

Era para ser apenas uma viagem romântica para Paraty, mas no final foi o começo de tudo. Tanto de uma relação que este ano completa dez anos como do início da minha consciência do que a cor da minha pele representa. Criada no meio militar e com acesso a lugares, pessoas e educação que a maioria da população negra não tem, eu comecei a sair da bolha ali, no ônibus, ouvindo “1989” do Emicida. Depois dela, mergulhei no CD “Sua mina ouve meu rep tamém” e então conheci “Rua Augusta”. O som melódico das canções e a porrada das letras me fizeram pensar. Mas fiquei por aí, no campo das ideias, até que este ano eu assisti a peça “O topo da montanha”.

No meio do processo de assumir meu cabelo natural, de entender toda a beleza que há nele e, consequentemente, em mim, eu passei alguns intensos minutos no espetáculo ouvindo muito do que vivi durante os 32 anos de vida: “seu nariz é largo”, “a raiz do cabelo poderia ser mais lisa”, “o problema é que tem muito volume, embaraça muito”, chegar as lugares e ser uma exceção quando deveria ser maioria, ser o “exemplo” de negro que deu certo etc. Depois de cair em lágrimas várias vezes eu percebi, no final, que era hora de fazer alguma coisa.

A música “Madume” faz parte do CD “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa”, na foto do post

Eu sei que criar um site sobre beleza e com algumas dicas do que eu gosto e leio nessa caminha de construção pessoal é pouco. Mas é o que eu consigo e posso fazer no momento. Torço muito para que esse pouco de mim e das minhas experiências possam ajudar quem também está no meio do caminho.

Bom, além das músicas acima, também recomendo muito a leitura dos livros “Sejamos todos feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie, e “Na minha pele”, de Lázaro Ramos, que é um relato esclarecedor de como é ser artista negro no Brasil ainda em 2017. Mas não fala apenas sobre isso, enquanto conta sua história, Lázaro também fala das referências que tem, dá dicas de livros, filmes, vídeos… Merece a leitura.

Foi justamente por causa do livro que cheguei a dois vídeos de palestras no TED. Eles são curtos e com uma reflexão bem pesada: