(in)sanidade emocional

A ilusão não abandonada de ser emocionalmente estável, imperturbável e constante

Ele deseja um interruptor.

Que simplesmente pudesse reger toda bagunça dos seus sentimentos. Que desligasse a dúvida e ligasse ousadia. Desligamento de dores, minimização de nostalgias e expansão de alegrias.

Queria ao menos equalizar traumas. Desejava controle sobre si mesmo e não a permanência constante da inconstância. Nem que fosse pra agarrar a tristeza, que não fosse ela frágil e altamente questionável. Deseja sentimentos fortes, porém que lhe fosse possível manejar um a um.

Quando feliz questionava as razões. Quando triste, ele questionava as razões. Se repetia. Sabia que vivia um ciclo vicioso. O vício e a dúvida pareciam as determinantes de muita coisa.

Ele sofria por não saber quem era e pra que veio. Ele lamentava não ter errado quando insistiu em acertar e nem por isso se alegrou.

Não caberia um mergulho em seu oceano. Parecia raso, ainda que na verdade fosse profundo. Mas isso não quer dizer que suas águas valeriam a pena.

Era um louco incontestável. Um amador de certezas. Alguém que desejava amar a vida, mas não sabia o caminho. Por isso queria tanto o interruptor. Os botões de volume emocional. Os resets menos doloridos. As atualizações mentais acontecendo indolor e sutilmente.

O que não queria mais era a dúvida de quem era. Queria aprender a aceitar-se. Aprender a aquietar a alma sem as palavras bonitas de alguém chegando aos ouvidos. Queria aprender a aquietar a alma mesmo sem sorriso. Sem fatos novos acontecendo. Mesmo sem dias ensolarados.

Queria que a felicidade não dependesse de estações, datas ou dinheiro extra. Queria ser feliz em ser quem era e ponto.

De tempos em tempos ele lança essa mesma história. Ouvidos escutam. Almas que nem se importam. Mas ele continua tentando. Ser compreendido. Amado. E cuidado. Mesmo com sua inconstância. Mesmo sem encontrar interruptores que agreguem salvação às batalhas emocionais, aos receios e dilemas. Mesmo sem encontrar os interruptores.

A propósito, eles existem? Quem não iria querer.