DESCULPE ARTHUR.

Hiram Souza
Aug 9, 2017 · 3 min read

Percebo que já há algum tempo os governos de plantão estão perdendo a guerra contra a violência. Não sei se por falta de coragem das autoridades em enfrentar o problema, se por pressão dos movimentos sociais aparentemente se aproveitando e recheando de traficantes seus quadros, não sei se o fato de muitos dos crimes serem cometidos por menores de idade.

Não sei, mas o fato de estarmos com 60 mil mortes por ano, o que é mais do que qualquer guerra que esteja acontecendo no mundo é assustador. Durante algum tempo a desculpa das “balas perdidas” foi aceita como normal. Mas por que não existem balas perdidas em outros países?

Não estou culpando a policia e sua eventual falta de preparo, mas bala perdida no Rio mata com uma frequência assustadora. Depois que um “snapper” matou um terrorista há mais de 3.000 mil metros, acho que pode ter gente matando inimigo a grande distancia e pondo a culpa nas balas perdidas.

O fato trágico é que no dia 31 passado, um casal estava enterrando Arthur Cosme de Melo, seu filho, que ainda não tinha nascido. A mãe Claudinéia foi pega no meio de um tiroteio entre policiais e traficantes no lixão da favela onde mora em Duque de Caxias, cidade fluminense.

O bebe ainda na barriga da mãe levou um tiro no peito, socorrido sobreviveu por alguns dias, mas veio a falecer. Vocês podem imaginar um bebe ainda no útero da mãe levar um tiro e morrer? É possível violência maior?

Em um incrível depoimento só possível para quem convive muito próximo a marginalidade ou em guerras, D. Claudinéia disse o seguinte “Faltava só três dias para o parto normal, se se isso não tivesse acontecido hoje o Arthur estaria no seu berço, no quarto que preparamos para ele. Essa é a diferença entre nascer em paz ou em guerra”.

Desculpem, mas PQP, que coisa mais triste reconhecer que seu filho foi morto em uma guerra que nas estatísticas governamentais não esta acontecendo? Imagino que a bala que matou o nem nascido Arthur, provavelmente saiu de um fuzil que estava nas mãos de marginais traficantes que assumiram o Rio e não estão nem ai para a vida de quem quer que seja.

O Arthur coitadinho deu azar de tentar nascer no Brasil, país apodrecido pela corrupção e inépcia das autoridades. Desculpe Arthur por você tentar nascer no Brasil e que Deus te guarde.

Hiram Souza

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Publicitário de longa data e observador contumaz da vida, Hiram escreve com humor e leveza sobre Política, Comportamento, Educação e muito mais. Leia e comente!

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