O que ninguém te fala sobre empreender

Pessoas alegres, confiantes, bem sucedidas, que cresceram seus negócios “da noite para o dia”… Será que ser empreendedor é isso mesmo?

O que a mídia está vendendo como “empreendedorismo” não retrata a realidade do que é, realmente, empreender. Existe uma constante gourmetização dos fatos e precisamos urgentemente desromantizar esse conceito de empreendedorismo.

Quando uma pessoa se reconhece como empreendedora, decide trabalhar suas habilidades como tal e começa a desenvolver algo, dificilmente ela terá a estrutura necessária para permanecer no mercado — e logo vai se frustrar.

Quando discursam que empreender é um ato belo, simples e que os resultados são facilmente alcançáveis porque tudo depende unicamente de quem está atuando, romantiza-se o empreendedorismo. E isso pode ser extremamente perigoso. Não é difícil encontrar empreendedores que já passaram — ou estão passando — por uma fase depressiva em suas vidas: criar uma disrupção, mudar consideravelmente a maneira como se faz algo e impactar a sociedade é muito, muito difícil, e gera uma série de armadilhas psicológicas para o empreendedor.

As habilidades que são fundamentais no cotidiano de quem está tocando um negócio são: paciência, maturidade, flexibilidade, empatia e calculismo. Isso mesmo, parece contraditório, mas é esse o jogo de cintura que pode levar o empreendedor a acertar o caminho ou se perder completamente. Não é à toa que vários (grandes) nomes do empreendedorismo foram chamados de loucos. Porque, definitivamente, não é fácil você depositar todo o seu suor, amor e dedicação em um negócio, e ao mesmo tempo ter que desempenhar o papel de pior inimigo dele.

Temos a seguinte métrica:

O empreendedor que tem a personalidade muito dura, analítica e inflexível, tende a cativar pouco as pessoas que trabalham com ele. Essa figura consegue identificar claramente todos os pontos fracos do negócio e obter um direcionamento, porém, criar uma cultura organizacional positiva é um grande desafio. O ser humano é movido não apenas por números, mas principalmente por conexões. Esse perfil de pessoa dificulta bastante em processos de brainstorm por sempre querer matar as ideias antes mesmo de tentar moldá-las. Tomadas de decisões que necessitam de empatia definitivamente não são para ele. A frieza em excesso também desgasta o empreendedor, que poderá se frustrar ao não conseguir atingir os resultados esperados.

O empreendedor apaixonado é tão difícil de lidar quanto o analítico. A cegueira de amores que toma conta dele, o impede de ver os pontos fracos do negócio. Nenhuma empresa sobrevive à base de decisões tomadas pelo impulso no calor do momento — característica de pessoas muito apaixonadas.

O apaixonado possui dificuldades em ouvir feedbacks sobre aspectos que possam ser melhorados sobre algo que ele julga perfeito, e está sempre em modo defensivo. Essas críticas também podem levá-lo a uma grande frustração (desilusão amorosa).

É duro para o criador criticar a sua criatura.”

O que os dois perfis possuem em comum: ambos são difíceis de trabalhar por focar apenas no que eles querem ouvir. Pessoas que trabalham com extremos são as mais perigosas: enquanto uma critica demais, outra de menos. O medo de perder dinheiro e de magoar as pessoas impede que as mudanças essenciais sejam realizadas no negócio. Por isso, permanecer equilibrado na corda bamba é difícil.

A capacidade de planejar, organizar, dirigir e controlar com maestria é que torna o empreendedor um bom administrador de negócios. Ter paciência e empatia o tornam um bom administrador de pessoas. E é isso que o mercado precisa hoje: empresas lideradas por pessoas, capazes de criar valor, com uma cultura organizacional fluida e resultados impactantes. O empreendedor do século XXI possui a maior pressão de todas: identificar seus pontos fortes e fracos e agregar pessoas que o ajudem a manter o equilíbrio necessário para tornar o negócio saudável.

Não precisamos da ideia de que estamos sozinhos nessa. Nenhum grande negócio foi construído sozinho e tudo bem não ser o super-herói que consegue amar e criticar seu próprio negócio. Está tudo bem em agregar pessoas que completem seus pontos fracos. A intenção desse texto é mostrar que existe um outro lado da moeda, que é difícil atender a todas as expectativas mas que também existe um contorno para essa situação. Meditar sobre quem você é, o que te move e o que te faz feliz o ajudará bastante a encontrar um rumo.

Não existem segredos, fórmulas mágicas… Existem apenas pessoas trabalhando intensamente de manhã, de tarde, à noite e pela madrugada, em busca de crescimento.

Monnaliza Medeiros
Liga de Empreendedorismo Potiguar

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