Precisamos falar sobre Design Thinking

Com a constante e intimidadora velocidade de mudanças na sociedade atual, nos vemos diariamente diante de situações complexas, prazos apertados, reuniões que não levam a lugar nenhum e muito, mas muito pensamento exclusivamente analítico como resolução de problemas em diversos tipos de negócios. Em momentos de crise, o que mais precisamos é a capacidade de adaptação e se engana quem pensa que essa estratégia é necessária apenas em ambientes empresariais de alto escalão ou startups. A inovação é de responsabilidade de todos nós e ela se aplica em todas as áreas e situações, incluindo na vida universitária.

Em qualquer nível e em qualquer tipo de organização, o design thinking promove as ferramentas necessárias para que as abordagens comuns sejam transformadas em pensamentos “fora da caixa”. Assim, oportunidades criativas que estão bem debaixo do nosso nariz são descobertas. Isso se dá pois usamos o lado direito do nosso cérebro — o lado mais intuitivo e criativo. Essas oportunidades frequentemente estão ali e não conseguimos vê-las, pois a comunidade, principalmente da área de exatas, tende a pensar com o lado esquerdo do cérebro — o lado analítico, que pensa em contas, estruturação de resoluções pré-definidas e bastante técnicas.

Mas o que seria o design thinking então? Design thinking é uma metodologia usada para unir tanto o pensamento analítico quanto o criativo através de métodos usados inicialmente apenas no design, para a resolução de problemas de diversos segmentos. Através dele, se faz um estudo de todas as informações necessárias sobre o cliente e todo o ambiente externo, sempre voltada à empatia do público-alvo. Define-se o ponto de partida para a ação de forma dinâmica, removendo barreiras e encorajando a conversa entre todos os setores e pessoas envolvidas na organização, através de um grupo. E daí vem a etapa do brainstorming, na qual todas as ideias serão expostas e analisadas, filtrando-se as melhores — sem descartar nenhuma — em mapas mentais mais intuitivos, visuais e mais atraentes (além de mais divertidos). A partir daí vem a etapa de testes e feedbacks de protótipos, onde serão analisadas todas as respostas positivas e negativas, moldando e reestruturando a ideia inicial de forma constante o quanto for necessário, até que se encontre a melhor solução para a otimização do processo inteiro.

O design thinking é muito voltado para testes, para ideias inovadoras que muito provavelmente representam um risco maior: um caminho que nem muitos escolhem por medo. Empresas como a P&G, Apple, L’Oréal, Itaú e outras, são exemplos perfeitos da prática de inovação de impacto para a sociedade com a aplicação do design thinking. O conceito ainda é relativamente novo no nosso país, mas já existe uma escola abordando o tema por aqui. Um momento como esse que estamos vivenciando precisa abrir espaço para inovação: os velhos métodos estão ficando insustentáveis e essa barreira precisa ser rompida. Apenas aqueles que estão abertos à inovação sobrevivem, e principalmente, saem mais fortalecidos. A prática desse tipo de modelo dentro da universidade, em disciplinas, aplicada a resolução de problemas seria um grande passo para a inovação no nosso país. Esse exercício, não só nas áreas humanísticas, mas também nas áreas exatas e biológicas, é essencial para que possamos estimular o pensamento crítico e criativo — que é a melhor combinação para a resolução inteligente de problemas e criação de iniciativas mais humanas, envolvendo valores de empatia, colaboração e experimentação. Afinal, todos nós possuímos os dois lados do cérebro, então porque tendemos a usar mais um lado do que o outro e não nos forçamos a usar ambos?

Nicole Almada
Liga de Empreendedorismo Potiguar