Carta a um desconhecido

Oi, querido. Desculpe te desapontar logo na primeira linha, mas eu não te prometo verdades. Não que eu tenha tendência a mentir, mas é que eu tenho pouco, quase nenhum espaço para inventar. A ponta dessa BIC é também a ponta do infinito nesse apertado minuto em que te escrevo. Acredito que você não tenha tempo para devaneios — a cidade é corrida mesmo — então vamos lá. Sou apenas uma jovem engasgada em seus próprios projetos de vida. Um deles e quiçá o mais essencial em minha vida é o de ser cigana. Eu não dedico a energia dos meus sete chacras a esse ímpeto porque além de cigana eu também gostaria de tocar violão, mas minhas mãos suam muito e por pouco não enferrujam as cordas. Castanholas não é uma opção. Penso em Caetano: "como é bom poder tocar um instrumento". Graças ao tarô eu superei esse dissabor. Também gostaria de ser caminhoneira e dançarina. Seria um sonho dirigir pela estrada, ler as runas, prever o futuro. Mas talvez eu prefira um palco? Sim, eu quero muitas coisas. Pena que eu só tenho uma folha. Mas tem uma coisa que eu não quero e essa eu só vou te contar porque não te conheço. Desculpe te desapontar nessa última linha, mas é que estou com dor de cabeça. Falar de si exige uma energia visceral.

TO BE CONTINUED…

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