cena em sonho

saltos transitam. luz confusa sobre os objetos amontoados. corpos entrecortados. meio nus, meio de bicho, ao meio. do umbigo um caule de flor branca brota em ruídos de rasgo — talvez rosas devido aos espinhos que nascem e rompem a pele e sangram e tingem as pétalas de vermelho. falas disléxicas. uma palma invisível asfixia gargantas histéricas. ninguém é visto ao certo. facetas abstratas, uma insegurança latente. luz estridente em quem assiste. um grito do palco de quem resiste. olhos se apertam, interpenetram outros olhos trêmulos. ah, a poesia esquecida na caneta. alguém fora de cena aperta um amuleto. uma cortina de fumaça se fecha.

uma voz onipresente impera:

aqui não há espaço pra fala.

[babei morfina no travesseiro]

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