Água com açúcar para relaxar.

Diana, o filme — Review


Ontem eu não queria ver nada divertido, profundo ou inteligente demais. Meus instintos femininos foram claros: veja Diana. Há muitos anos, lá no passado, não foi você que levantou às cinco da manhã para ver o casamento dela, mais especificamente o vestido?

Foi.

Claro que o tempo passou e não sou mais uma menina romântica. Cresci, viajei o mundo, fiz uma carreira de sucesso, virei mãe, casei, minha cultura foi lapidada com tantas leituras e assinaturas de concertos. Posso dizer. Agora, sou uma adulta romântica. E a diferença entre menina e adulta é pequena nesse quesito. Ainda gosto de vestidos e cenas de casamento na TV.

O filme não mostrou ela casando, mas apenas se separando. Talvez aí esteja a continuação da história que começou naquela manhã e foi transmitida ao vivo para o mundo.

Deu tudo errado. Ela casou com o cara e não entendeu que estava apenas sendo contratada para um emprego sem férias, com dedicação 24 horas por dia.

Na minha opinião, a ingenuidade de Diana é o elemento principal do filme. Ela se apaixona por um paquistanês, a família dele não aceita o casamento entre os dois (a história se repete, coitada) e o final todos sabem.

Ela perde o emprego, vítima de acidente de trabalho. Em um túnel em Paris, depois de jantar no Ritz.

O legal do filme é que ele não precisa de cenas com a rainha, com o Charles ou com a Camila Parker. Está tudo ali sem precisar mostrá-los, nem citar nomes.

O show de vestidos continua. Um mais lindo que o outro, tantos anos depois.

Segundo a Wikipedia: “para interpretar Diana, Naomi Watts usou perucas, nariz falso, vestidos de Diana copiados e emprestados, a atriz buscou estudar a sua forma de falar, a postura e o olhar da princesa.”

Ela, como os caras de tantas empresas do Silicon Valley, queria apenas um mundo melhor.

Diana até conseguiu fazer muitas coisas legais, com sua ingenuidade, poder midiático e vocação para o bem.

Quem viu o casamento dela na TV, deveria assistir. O melhor de tudo é que nem precisa acordar às cinco da manhã.

Ficha técnica. O roteiro é baseado em livro de Kate Snell de 2001, Diana: Her Last Love, e foi escrito por Stephen Jeffreys. Direção do alemão Oliver Hirschbiegel. A atriz anglo-australiana Naomi Watts interpreta o papel-título de Diana.