O primo francês do nosso Menino Maluquinho.

Review — Pequeno Nicolau

Quando convidei minha filha para assistirmos juntas O Pequeno Nicolau no Netflix, fiquei em dúvida se ela iria gostar tanto quanto eu do adorável personagem que eu já conhecia dos livros.

Confesso que também fiquei curiosa para ver se o filme corresponderia à genialidade do texto de René Goscinny, o pai do Asterix, e do desenho do Jean-Jacques Sempé, meu cartunista favorito.

Talvez por isso ou por falta de oportunidade, demorei um montão para ver o filme, que foi feito em 2009 e já tem a continuação lançada em 2014.

Mas bastaram a abertura e algumas cenas para perceber que o diretor Laurent Tirard foi não apenas fiel à obra, mas também impecável na produção, direção e todos os aspectos da execução: é um dos filmes mais fofos, divertidos e inteligentes que já foram feitos para crianças.

Resumidamente: Nicolau (Maxime Godart) leva uma vida normal e se diverte muito com os amigos da escola (um melhor que outro). Um dia ele ouve sem querer uma conversa entre os pais e passa a acreditar que sua mãe está grávida. Entra em pânico, porque acredita que quando o bebê nascer ele será abandonado na floresta, e assim começa a confusão.

É uma história de amizade, família, poesia e inocência. Divertida, inteligente. Lembra um pouco o Menino Maluquinho, do nosso Ziraldo.

A linguagem visual é retrô, de uma França icônica e nostálgica, como nos filmes de Jacques Tati dos anos 50 e 60 — ele é da mesma geração de Goscinny e Sempé.

A Júlia adorou. Viu uma, duas, três vezes, apesar de não entender francês, não conseguir acompanhar legendas e um adulto ter que traduzir os diálogos de vez em quando — pois é, não tem versão dublada no Netflix. Isso é um evidente sinal que o filme realmente despertou interesse nela.

Como mãe, fico feliz em vê-la assistindo e curtindo um filme com essa qualidade rara de ideias, humor, conteúdos e referências.

É daqueles filmes que também fazem os pais rirem e, ao mesmo tempo, terem a sensação de estar contribuindo positivamente para a cultura dos filhos.

Pode ser um programa divertido para crianças entre 6 e 10 anos. Menos que isso, será mais difícil entender o humor. Mais que isso, talvez já não role uma identificação com os personagens: crianças geralmente não querem saber de crianças mais novas e, imagino, que no fim da infância isso seja ainda mais forte.

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