Ciborgue ou não Ciborgue?

Eis a questão!

Escrito por Solange Luz | Design & Filmagem por Leonardo Alves Fernandes

Elon Musk, fundador do Tesla Motors, afirmou no início deste ano que os seres humanos devem tornar-se ciborgues se quiserem permanecer relevantes em um futuro dominado pela inteligência artificial. “

Se analisarmos essa frase isoladamente teríamos mais um tema à ser explorado na indústria cinematográfica.

Filmes como Robocop, A Vigilante do Amanhã, Soldado Universal e Exterminador do Futuro são alguns exemplos. Entretanto, a frase apresentada por Musk não estava relacionada à ficção, trata-se de uma realidade presente. O termo ciborgue está presente de forma real e materializada em nossa sociedade.

Segundo a antropóloga Amber Case, a origem da palavra cyborg. aconteceu em 1960, quando os cientistas Manfred Clynes e Nathan S. Kline apresentaram em um artigo a utilização de dispositivos externos e roupas em seres humanos para torná-los aptos à viagens espaciais.

Hoje há inúmeros ciborgues espalhados pelo mundo, sejam por questões médicas, deficiências físicas, ou simplesmente por amor a tecnologia.

Os biochips representam uma das soluções apresentadas nesta era de avanços tecnológicos. Com eles o desenvolvimento de uma nova geração de ciborgues e as significativas mudanças na forma como trabalhamos, interagimos e vivemos.

No mundo há mais de 700 mil pessoas que implantaram os biochips. Embora ainda apresente uma tecnologia limitada, sendo utilizadas para funções simples, como destravar portas, passar catracas, ligar o carro e destravar computadores.

Há diversos estudos que buscam utilidades mais expressivas, como detectar células cancerígenas, controlar pressão alta, dosar insulina e remédios contraceptivos, monitorar atividade sanguíneas, cardíaca, de temperatura e etc.

Criar estímulos, novas habilidades e percepções também fazem parte das funções que em breve serão adaptadas aos biochips.

Anders Sandberg pesquisador do Instituto Futuro da Humanidade na Universidade de Oxford, afirma que criar futuro é uma questão de

“Realmente aprendermos o que prevemos e saber quais áreas devemos desistir

Considerando todas as previsões tecnológicas feita pela indústria cinematográfica e que hoje são reais, quando falamos sobre a evolução dos ciborgues muitas pergunta surgem.

A humanidade evoluirá seus corpos a tal ponto de nos tornamos Robocops? Aqueles que não quiserem acompanhar essa evolução serão deixados para trás? Nossos dados estarão seguros de ataques hackers? Seria esse o sinal apocalíptico?

Na opinião do filósofo e futurista Max More, o hibridismo entre máquinas e seres biológicos faz parte da evolução dos seres humanos.Em 2004, Neil Harbisson, foi o primeiro homem oficialmente reconhecido como ciborgue. Para Neil Harbisson a relação entre homem e máquina nada mais é que uma ampliação dos nosso sentidos.

Questões como essas, apresentadas por Max tornaram-se base para um novo movimento chamado transhumanismo, grupo de pessoas que acreditam que o corpo humano e suas funções podem ser melhorados, com intervenções tecnológicas, e isso não está relacionado à criação de super humanos.

O que eles defendem é uma continuidade na evolução. Harbisson afirma que os sentidos humanos são falhos, os animais possuem sentidos muito mais apurados, por exemplo, os cães escutam e farejam muito melhor que nós.

Ele também afirma que nossa relação com a natureza seria totalmente modificada e seus impactos menos agressivos

“Se tivéssemos desenvolvido nossa visão noturna, hoje não destruiríamos tanto a natureza a fim de gerar iluminação”.

De forma geral as pessoas estão divididas em relação a implantação dos biochips, para alguns trata-se de uma nova forma de comunicação, há os curiosos, e por fim aqueles que observam com olhares desconfiados, esperando para ver onde isso tudo nos levará.

Amber afirma que “Um cyborg não é um Robocop, mas a experiência da vida cotidiana que foi alterada pela tecnologia”. Todos fomos afetados por ela, basta analisarmos nossa relação com os smartphones para perceber isso.

Tive a oportunidade de conhecer um casal ciborgue, (conto todos os detalhes desse encontro neste artigo https://goo.gl/5po8Wj ) e neste evento ficou muito claro que fazemos muito pouco com o potencial criativo e construtivo que temos.

Por isso defendo a promoção de debates aberto que não neguem as contradições e receios sobre o tema, mas que também possam considerar as possibilidades a partir de uma perspectiva progressiva, considerando ciência, tecnologia e sociedade não como partes isoladas, mas como um processo construtivo. do que temos e somos.

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    Ligia Zotini Mazurkiewicz

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