Gente que gosta de gente

Começo esse texto dizendo que sou uma farsa. Sim, eu assumo. São anos e anos repetindo o mantra “não gosto de gente”, mas a verdade é que gosto. Continuo não sendo fã de aglomerações, mas gente… gente é coisa linda.

Gente que não vi durante anos ou que nem conhecia, mas que apareceu e fez questão de me abraçar e dizer o quanto a dona Maria tinha orgulho de mim. Gente que chegava dizendo “você é a famosa Olívia!” e me contava tudo o que sabia a meu respeito. Gente que me mostrou como eu era pelos olhos de alguém que me amava muito.

Gente que não está perto, mas faz questão de estar. Gente que me mandou presente lá de Brasília. Gente que me mandou e-mail lá de Nova York. Gente que nem sei onde mora, mas mandou um carinho pelo Snapchat. Gente que conheci há menos de um mês e passou o fim de semana todo me mandando mensagens de preocupação, oferecendo ajuda e conforto.

Gente que me ligou, gente que me ofereceu a casa, gente que me deu carona e me acompanhou ao lugar onde gente nenhuma quer ir. Gente que me pagou um café enquanto eu não podia dormir e me sugeriu descansar quando a gente já não aguentava mais. Gente que me procurou no trabalho pra me dar um abraço. E foram tantos abraços nos últimos dias! Gente que abraça! Adoro gente que abraça.

Gente que nem é parente da gente, mas de gente que é parente da gente e apareceu pra dar apoio também. Gente de outras cidades, gente que mora pertinho, gente até que a gente não sabia que considerava tanto a gente. Gente que conhece a gente desde criança e já virou gente da família.

Como não gostar de gente, se há gente que está sempre por perto e faz questão de que a gente saiba disso?

Gente é difícil, complexa, cheia de coisinhas que fazem gente ser gente. Mas, se há tanta gente que gosta de gente, e que gosta da gente, o jeito é gostar dessa gente. Gosto de gente que é gente.