sou filha das mães

aham, tenho duas. vou separar em partes porque quem conhece uma, vai conhecer a outra e também porque eu sei da “ciumera”. saibam que aqui estará em partes, mas no coração tá todo mundo morando no mesmo cômodo.

Regiane.

eu li essa semana um cartaz bem brega aqui no elevador de casa que dizia: “…ser mãe é ser uma divindade na Terra…”. não só mais uma frase clichê pra enfeitar a data, como uma mentira. desculpa a sinceridade, sindico. eu fiquei pensando: puta que me pariu (muito errado esse palavrão pro momento, né? tudo bem, a minha mãe tem senso de humor), que responsabilidade ser uma deusa entre os homens! carregar nos ombros o peso de ser perfeita e onipresente. que merda se apresentar pra uma plateia que não espera nada além do espetacular. agora, tchô contar uma verdade procês: mãe é ser humano e faz muita cagada sim. tem todo o direito, aliás. ela escolheu te ter, mas em nenhum momento veio um manual preso no cordão umbilical.

é complicado falar de maternidade, tenho pensamentos muito divergentes sobre. mas eu sei, EU SEI, que mães são pessoas como nós que não somos mães, rs. a minha, por exemplo, tem que aprender muita coisa ainda nesse plano espiritual. porque ela é gente e não uma deusa.

mas te digo uma coisa, que mulherão da porra. sabe galho que enverga, enverga, enverga, enverga mas não parte? pois é. essa mulher já passou por tanta tempestade, já engoliu tanta água, mas o barco nunca afundou. e no fim das contas, ela ainda me dizia pra olhar pro céu porque a lua fica ainda mais bonita depois da tormenta. mãe, eu queria que você soubesse que não errou em nada comigo, a gente não se abandonou. que orgulho ser sua filha, ver suas batalhas, suas falhas…desculpa ter ido, eu precisava e você também. mas saiba que eu não escolheria outra pessoa. uma vez eu vi num filme uma menina que não conseguia descrever o caminho cheio de flores que passava. ela dizia que maravilhoso ou incrível eram palavras que não alcançavam o que estava vendo. eu já senti algumas vezes coisas que ninguém ainda nomeou, e o meu amor por você é isso. uma palavra que ainda não alcançaram. é forte, eu to sentindo agora. inunda. gosto demais de sentir isso porque sei que pra onde eu for, estará comigo. não descobri ainda como funciona esse jogo de pessoas que se encontram na vida, mas caralho, que bom que é você, do jeito que foi e é. mesmo que por vezes eu queira apagar tudo o que te magoou.

você é tudo.

Rose.

nunca foi só um quarto. você me deu muito mais que uma cama larga, deu a chance de ter um pai dentro de casa, uma irmã e um lar regrado. onde o mar era mais calmo e o céu na maioria das vezes azul.

eu sei que existe tanta coisa aí no seu coração que só você sabe. acho que temos isso em comum. sei também que era pra eu ser um capítulo da sua estória e acabei virando um dos personagens principais. obrigado por ter me escolhido e me deixado entrar. você não faz diferença nenhuma entre eu e a amanda. nunca senti nada que me fizesse sentir o contrário. te chamam de cérebro, mas eu vejo um coração gigante na minha frente.

sei que tudo o que você quer é que eu tenha um bom lar, um emprego que me reconheça e um futuro confortável. sinceramente, não sei se isso eu posso dar, mas garanto, serei feliz e cada sorriso será compartilhado com você. cada acerto eu direi: “é seu, é por você.” e se eu falhar, tudo bem. não se preocupa, a gente dá um jeito (nada racional, né? mas eu sou assim e por isso tenho você, pra equilibrar o meu lado miçanga).

um dia me conta o você queria quando menina, seu primeiro amor, por que chorou, se a vó já te magoou, se a vida é como imaginava…? me conta, porque sou tua filha.

e você é a minha mãe.

Pras duas.

o que eu mais sei fazer é escrever (bem ou mal é isso que eu gosto), e hoje é isso que eu ofereço. a vida já valeu muito a pena por causa de cada uma. eu queria mais, dizer mais e encontrar palavras que expressassem melhor, mas não dá. acho que ser mãe de quem escreve é ler sempre menos do que merece. desculpa qualquer erro, deste texto ou na vida, é que quando é sobre vocês o olho sempre enche d’água e não é o dedo que escreve, mas o coração.

“Mãe(s), já acabei, vem me ler”.

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